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3 Novembro 2021

José Manuel Silva preocupado com possibilidade da mudança do TC para Coimbra poder cair na votação final

José Manuel Silva preocupado com possibilidade da mudança do TC para Coimbra poder cair na votação final

O presidente da Câmara Municipal (CM) de Coimbra, José Manuel Silva, mostrou-se preocupado com a possibilidade de o projeto para transferir o Tribunal Constitucional (TC) e o Supremo Administrativo para a cidade poder cair na votação final, após ter sido aprovado hoje na especialidade.

“Olho com satisfação, nomeadamente pelo facto de o Bloco de Esquerda ter aderido positivamente à iniciativa [do PSD], mas com preocupação de a proposta ter sido apenas aprovada em comissão e poder ser rejeitada em plenário, por não reunir a maioria dos votos dos deputados efetivos. Isso iria inviabilizar a deslocalização”, afirmou à agência Lusa José Manuel Silva.

 

O parlamento aprovou hoje na especialidade o projeto social-democrata para transferir as sedes do Tribunal Constitucional e do Supremo Tribunal Administrativo para Coimbra, com votos a favor do BE e PSD, e abstenção do PS e do PCP.

 

No entanto, na votação final global da lei, a Constituição exige que as leis orgânicas precisem de ser aprovadas por uma maioria absoluta dos deputados.

 

O presidente da CM de Coimbra, eleito pela coligação Juntos Somos Coimbra, apelou ao PS e ao PCP para que “mudem o seu sentido de voto e que sejam a favor do país e não só a favor de Lisboa”, de forma a não inviabilizarem “esta importante proposta de desconcentração do país que deve ter paralelo noutras decisões e noutras instituições nacionais”.

 

Caso os socialistas se abstenham, tal como o fizeram na especialidade, José Manuel Silva acredita que isso irá salientar, “mais uma vez, as contradições do PS, que tem um Ministério da Coesão, mas que não pratica a coesão”.

 

“A deslocalização, a desconcentração do Tribunal Constitucional e do Supremo Tribunal Administrativo contribui efetivamente para a coesão do país, à semelhança do que acontece na Alemanha, em que nenhum tribunal superior se encontra em Berlim”, frisou.

 

Caso o projeto não seja aprovado na votação final, José Manuel Silva garante que o município não aceitará essa decisão “de ânimo leve” e que irá “defender os interesses do país, até porque deve haver outras desconcentrações de outras entidades para outras cidades do país”.

 

Já sobre o chumbo da proposta de transferência da sede da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) – votos contra do PS, abstenção do PCP e votos a favor do PSD e BE -, o presidente da CM de Coimbra considera que a argumentação dos socialistas é “absurda”.

 

“Hoje, não é preciso a Entidade das Contas entrar pela sede de um partido para analisar as contas. Pelo contrário, faz a sua análise de forma independente e, se houver alguma suspeita, comunica às autoridades”, disse, rejeitando por completo o argumento de que esta entidade deve estar próxima das sedes dos partidos.

 

 

LUSA / CM Coimbra

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