Esta encomenda do Convento São Francisco, integrada no ciclo “Saudades do Brasil em Coimbra”, deu, assim, o mote a uma nova temporada, que se prolonga até junho, onde não faltarão propostas surpreendentes e arrojadas, com várias estreias, encomendas e espetáculos singulares.
Da cumplicidade a três em palco ao repertório apresentado, para o público que esteve presente no Grande Auditório do Convento (esgotado nas duas noites) foi uma oportunidade única de apreciar três dos mais aclamados intérpretes vocais portugueses em releituras de canções icónicas do cancioneiro do Brasil, daquelas que resistem ao tempo e fazem parte da nossa vida. A surpresa passou, também, pelo desempenho de Camané e Ricardo Ribeiro neste registo musical, dado que Zambujo tem explorado mais este tipo de repertório ao longo do seu percurso.
No seu jeito singular de interpretar, Ricardo Ribeiro protagonizou mesmo alguns dos momentos mais aplaudidos da noite, nomeadamente nos temas “Serenata do Adeus” e “Sodade, meu bem, sodade”.
Revisitando Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinicius de Moraes, António Carlos Jobim, Cartola, Pixinguinha, Nana Caymmi ou Roberto Carlos, entre muitos outros, o alinhamento selecionado revelou intimismo, intensidade, humor (até Camané dançou o samba), melancolia e festa, numa celebração musical plena de beleza e verdade.
Além da entusiasta adesão local, foram também muitos os que rumaram a Coimbra, alguns de bem longe, para assistir a algo que nunca tinha acontecido em Portugal: um encontro entre estes “três magníficos” para celebrar a multiculturalidade e a língua portuguesa.
Esta estreia mundial em Coimbra foi também marcada pela participação especial de um ensemble da Orquestra Clássica do Centro, dirigido pelo maestro Sergio Alapont, tendo esta dimensão orquestral sido amplamente elogiada pelo público nas redes sociais, bem como o contributo dos demais inspiradores músicos da banda presente em palco.
Com produção de Renato Júnior e direção musical de Hélder Godinho, este espetáculo marcou da melhor forma o arranque do novo ano cultural em Coimbra e não deixou ninguém indiferente. É caso para citar Buarque: “Foi bonita a festa, pá!”