O projeto surge no âmbito de um protocolo assinado pela autarquia e a OPP, assinado no passado dia 16 de maio, que visa a implementação do questionário COPSOQ II, que pretende avaliar os riscos psicossociais dos funcionários da autarquia. O protocolo vai vigorar por um período de dois anos, renovado automaticamente caso não haja intervenção das partes.
Assim, durante as próximas semanas, vão ter lugar ações de sensibilização dirigidas aos funcionários municipais, que vão culminar na realização de um questionário, anónimo e confidencial, para averiguar o seu estado de saúde psicológica. Os dados são tratados, posteriormente, pela Ordem dos Psicólogos, no âmbito do protocolo assinado com a autarquia, que também vai participar nas medidas consideradas necessárias a tomar face aos resultados obtidos.
O projeto tem como foco a saúde psicológica dos funcionários municipais e valoriza a importância do bem-estar para que consigam fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera, contribuindo para a comunidade em que se insere. A sessão de esclarecimento serviu, por isso, para sensibilizar os dirigentes sobre a importância desta matéria, com referência aos custos diretos e indiretos da falta de saúde psicológica, com base em dados fornecidos pela Ordem dos Psicólogos e em estatísticas de agências nacionais e internacionais.
Foram, assim, mencionados os custos diretos de saúde (medicação, intervenção, reabilitação, hospitalização) e os custos diretos não relacionados com a saúde (pagamento de seguros, questões legais, multas e compensações), para além dos custos indiretos, que podem passar pela perda de produtividade (absentismo, presentismo, rotatividade, erros/acidentes) ou, em casos extremos, pela morte prematura e problemas de saúde física. A apresentação conclui que, devido a estes problemas, registam-se perdas de produtividade de, pelo menos, 30%. Em termos financeiros, os dados apresentados mostram valores de perdas na ordem de 5,3 mil milhões de euros (M€), o que corresponde a um montante de absentismo (calculado oito dias por ano) de 1,8 mil M€ e presentismo (15,8 dias por ano) de 3,5 mil M€.
A sessão serviu ainda para lembrar que a falta de saúde psicológica está diretamente relacionada com o risco de ataques cardíacos (35% de probabilidade), morte por problema cardíaco (17%) ou diagnóstico de doenças físicas. Em Portugal, em matéria de riscos psicossociais, 53% dos trabalhadores já faltaram ao trabalho por situações de burnout, doença que, de acordo com o estudo, afeta 96% dos trabalhadores no seu dia-a-dia, a que se somam situações de exaustão física diária ou semanais (60%) e exaustão mental (57%).
Na administração pública, a excessiva burocracia, a exaustão emocional e a sobrecarga laboral estão entre os principais fatores que provocam stress, burnout e levam ao desejo de mudar de trabalho. E os riscos psicossociais podem revelar-se de forma severa, manifestando-se no ritmo de trabalho, na área cognitiva e emocional, ou de forma mais moderada, manifestando-se no trabalho, na previsibilidade e conflitos laborais.
O estudo aponta, por isso, benefícios na gestão dos riscos psicossociais, no sentido de um aumento dos níveis de bem-estar e de desempenho, maior concentração e desempenho. Indica, ainda, que através da gestão destes riscos, se consegue uma diminuição dos problemas e custos associados ao stress ocupacional, relacionados com doenças cardíacas, dores de costas, de cabeça, perturbações gastrointestinais, depressão, ansiedade, perda de concentração, dificuldade em tomar decisões e violência no local de trabalho.
Razões mais que suficientes para apoiar quem sofre de problemas de saúde psicológica, de modo a aumentar a sua autoestima e confiança, a promover a inclusão e evitar custos de formação e contratação de novos trabalhadores e, desta forma, construir um local de trabalho saudável.
Créditos fotográficos: Câmara Municipal de Coimbra | Nuno Ávila