“Queremos agradecer e saudar a senhora ministra pelo facto de, finalmente, alguém olhar para a bacia do Mondego na sua plenitude”, afirmou Ana Abrunhosa, sublinhando que esta é uma resposta há muito necessária face à vulnerabilidade crescente do território a fenómenos extremos. “Este é o único grande rio emparedado do país, com infraestruturas que já não respondem aos desafios atuais das alterações climáticas”, acrescentou.
Segundo a ministra do Ambiente e Energia, o concurso para a barragem de Girabolhos, localizada no alto Mondego, será lançado até ao final de março, estando também previstas obras de mitigação e controlo de cheias em toda a bacia hidrográfica. Maria da Graça Carvalho afirmou que o Mondego é atualmente o rio que mais preocupa no país, justificando-se “uma obra que torne o Mondego mais resiliente”.
“A nossa principal prioridade é preparar o país para ser mais resiliente a estas intempéries e às alterações climáticas”, referiu ainda a governante, adiantando que será solicitado à APA o calendário da construção e a definição dos objetivos da barragem. O projeto abrange território dos concelhos de Seia e de Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e de Mangualde, no distrito de Viseu.
Para a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, a abordagem integrada é determinante. “Apesar da nossa preocupação em Coimbra, sabemos que Montemor-o-Velho e Soure são historicamente muito afetados. Há uma região inteira que precisa de respostas articuladas”, afirmou, defendendo intervenções que vão além do canal principal do rio.
Ana Abrunhosa destacou ainda a necessidade de atuar nos afluentes, nomeadamente no rio Ceira, e de avançar com o desassoreamento do Mondego. Segundo a autarca, se forem contabilizados os prejuízos que se repetem ao longo dos anos, “já tinham sido construídas várias barragens”.
A barragem de Girabolhos terá como principal função o controlo de cheias, podendo assumir também usos complementares. O Governo anunciou igualmente que será definido um modelo de compensação pelo serviço público prestado, no âmbito do concurso a lançar pela APA.
Este anúncio surge num contexto marcado pelos impactos severos da recente depressão KRISTIN, que provocou elevados prejuízos materiais em vários distritos, incluindo Coimbra, reforçando a urgência de soluções estruturais para a resiliência do território.
CM Coimbra / Lusa
Créditos fotográficos: Ministério do Ambiente e Energia