Com o caudal do rio a registar cerca de 1.633 m3/s e tendência de descida, fica afastado o cenário que nas últimas 24 horas mais preocupava as autoridades: a inundação generalizada da Baixa da cidade. “Aquela situação que temíamos, de a Baixa de Coimbra poder ficar inundada até à Câmara Municipal, não consta agora das nossas previsões”, sublinhou a autarca.
Regresso às zonas evacuadas ainda não é seguro
Apesar da estabilização da barragem da Aguieira e da redução progressiva dos caudais, várias áreas do concelho continuam alagadas. A presidente foi clara: “As populações das zonas inundadas não devem ainda regressar a casa. Não é seguro”.
O Município de Coimbra e a Proteção Civil admitem que a situação nas zonas mais afetadas se possa manter ao longo do fim de semana. As orientações para o regresso às habitações e às áreas agrícolas serão comunicadas apenas quando estiverem reunidas todas as condições de segurança.
“Estamos fora da situação de grande perigo que ontem temíamos, mas continuamos em alerta”, reforçou Ana Abrunhosa, apelando a que ninguém corra riscos desnecessários. “Confiaram em nós até agora. Não é por mais um dia ou dois que vão correr riscos”.
No caso dos três lares cujos utentes foram transferidos preventivamente para o Pavilhão Municipal Multidesportos Mário Mexia, está previsto o regresso às respetivas instituições a partir de sábado, de forma faseada e acompanhada.
Prevenção evitou cenário mais grave
A presidente recordou que, na noite anterior, as previsões apontavam para um cenário de elevada gravidade e que famílias e empresários foram colocados em prevenção. “Quero agradecer muito porque confiaram nas nossas indicações. Felizmente, o pior não aconteceu”.
As decisões preventivas tomadas atempadamente revelaram-se determinantes para evitar danos de maior dimensão.
Trabalho de rede foi determinante
A presidente deixou um agradecimento expresso à rede municipal e sub-regional de proteção civil, às forças de segurança, bombeiros, Cruz Vermelha, INEM, Exército e às equipas da Câmara Municipal, que classificou como “inexcedíveis de dia e de noite”, bem como aos presidentes de Junta de Freguesia pelo papel determinante no terreno.
Visivelmente emocionada, agradeceu também à comunicação social pelo acompanhamento permanente da situação. “Foram incansáveis e um enorme parceiro para informar e tranquilizar a população”, afirmou, desejando que também os jornalistas possam descansar melhor esta noite.
Próximos dias: recuperação e avaliação de danos
Apesar da evolução favorável, mantêm-se algumas medidas preventivas. As aulas serão retomadas após o período de Carnaval. Já o Mercado Municipal D. Pedro V manter-se-á encerrado por precaução, devido à instabilidade da encosta na Cerca de Santo Agostinho.
Ana Abrunhosa alertou ainda para a possibilidade de continuarem a ocorrer quedas de árvores, muros e outras ocorrências pontuais nos próximos dias, apelando à manutenção de comportamentos prudentes.
Segue-se agora uma nova fase: apoio às populações afetadas, retirada de águas das habitações e avaliação técnica das infraestruturas. O Município irá recorrer a entidades especializadas para realizar auditorias e verificar eventuais fragilidades estruturais, mesmo em equipamentos que aparentemente não apresentem danos visíveis, anunciou a presidente.
A prioridade mantém-se clara: garantir segurança total antes de qualquer regresso à normalidade.