Para a autarca, é importante dar esse passo até para garantir legitimidade na decisão a nível regional. “A organização administrativa de um país é fundamental e a escala da decisão é fundamental para boas soluções”, notou a antiga ministra da Coesão Territorial e presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), que admitiu na conferência que nunca se sentiu tão legitimada como quando foi eleita autarca.
Segundo Ana Abrunhosa, quando se abordam questões como planeamento, envolvimento dos cidadãos e resiliência dos territórios face às alterações climáticas e eventos extremos como aquele que se registou no início deste ano é preciso “uma escala” que tem de ter “legitimidade na decisão”.
“Nós, enquanto cidadãos, precisamos que esses níveis estejam legitimados e o que é que isso significa? Que nós fomos ouvidos, que nós fomos envolvidos na sua escolha e é isto que nos está a faltar a nível regional”, notou.
O coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução do Centro do País, Paulo Fernandes, também presente no evento, considerou que na abordagem a problemas específicos há “sempre uma geometria variável que pode ser intermunicipal ou até inter-regional”, defendendo que a escala da ação é também importante.
“Eu acredito nas abordagens territoriais. Acredito que há um território que recebeu uma catástrofe e que esse território funcional tem que ser respondido enquanto território e acredito que é na integração de políticas desse território e na capacidade de se governar, de descentralizar e desconcentrar capacidades para um território funcional que temos a resposta”, frisou.
Na conferência “Eventos Climáticos Extremos”, participaram também o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, e o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, entre outros.
O evento foi organizado conjuntamente pela Faculdade de Economia, Ordem dos Economistas e Ordem dos Engenheiros.
LUSA / CM de Coimbra