A exposição apresenta uma seleção de obras literárias e de outros materiais ligados à censura no Estado Novo, provenientes do Arquivo da Ephemera, que integra a Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira, uma das maiores bibliotecas privadas portuguesas, com mais de 200 mil títulos.
A mostra centra-se na censura das ideias no campo cultural, privilegiando obras de diferentes géneros (poesia, romance e teatro) publicadas durante o período do Estado Novo. Estarão expostas edições originais de autores portugueses que foram apreendidas, proibidas ou autorizadas a circular, bem como relatórios da própria censura, incluindo pareceres de proibição, autorização ou condicionamento.
Censura e escrita no feminino em destaque
A exposição inclui também um núcleo dedicado à censura de mulheres escritoras, uma intervenção com características próprias. Entre os exemplos apresentados estão as “Novas Cartas Portuguesas”, das Três Marias (Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno), publicadas em 1972, bem como obras de autoras como Natália Correia, Nita Clímaco, Maria Archer ou Fiama H. Pais Brandão. A mostra integra ainda referências a autoras internacionais como Simone de Beauvoir e Françoise Sagan.
Entre os títulos em exposição encontram-se obras como “Ela é Apenas Mulher”, de Maria Archer, “O Caminho Fica Longe”, de Vergílio Ferreira, “Os Romances – Gaibéus. Marés. Avieiros.”, de Alves Redol, “A Noite e a Madrugada”, de Fernando Namora, “O Dia Cinzento”, de Mário Dionísio, ou “Quando os Lobos Uivam”, de Aquilino Ribeiro.
A programação inclui ainda a exibição do filme e documentário “Lapis Azul”, de Rafael Antunes.
No dia 23 de abril, às 18h30, está prevista uma sessão de leitura de textos censurados, a partir das obras expostas, pela Companhia Bonifrates, no âmbito do programa de mediação de públicos. A entrada é livre.
A exposição pode ser visitada até 30 de abril, de segunda a sexta-feira, entre as 9h30 e as 12h30 e das 14h00 às 18h00, na Casa da Escrita, na Alta de Coimbra (Rua João Jacinto, n.º 8).