O RAMPA é um projeto de criação e formação artística, integrado no festival Abril Dança Coimbra, e que, nesta quarta edição, contou com 24 intérpretes, com idades entre os 13 e 29 anos, a maioria da região Centro.
Benvindo Fonseca explicou que pretendeu fazer um programa em que as pessoas “possam sentir, ver o belo”, apresentando três peças distintas, que tentou que “fossem as mais diferentes possíveis, apesar de haver semelhanças”.
Homenagem aos pais
Segundo o coreógrafo, o primeiro bailado intitulado “Tábula rasa”, com música original de Miguel Berkemeier, é de homenagem à sua mãe e conta a “história de vida de um ser humano com as suas vicissitudes, energias, encontros, desencontros e o decorrer da vida com envelhecimento”.
Já “Consolation”, de homenagem ao pai, é um bailado de pontas, inspirado na obra do compositor Liszt e que é acompanhado ao piano por Mercedes Cabanach. “É mesmo uma consolação para consolar, estar parado, absorver, pensar, sentir e depois tirar a nossa história como quisermos”, descreveu.
O espetáculo termina com o bailado “The pulse of earth”, que Benvindo Fonseca fez na China e que “nunca foi feito na Europa”, com música tradicional chinesa.
Aos jornalistas, o coreógrafo disse que a maior dificuldade foi “tentar unificar” o grupo, com universos muito distintos, algo que se alcançou “pelo querer” dos jovens e do seu próprio, assim como “acreditar e arriscar”. Sobre o processo de formação, Benvindo Fonseca apontou um sentimento de gratidão, mas também de frustração por ver um “potencial que não existe”, deixando um repto para a criação de uma companhia. “Este teatro tem as condições todas para ter uma companhia. Coimbra merece uma companhia, o país merece mais companhias”, defendeu.
Orgulho de participar no projeto
Gonçalo Dias, de 17 anos, não escondeu o “orgulho de estar a participar no projeto”, destacando a ajuda mútua entre os elementos do grupo e admitindo que o principal desafio “é a falta de tempo”. “Tem vindo a ser uma aprendizagem rápida, mas se tivéssemos um pouco mais de tempo acho que ainda dava para explorar mais, entrar mais na intenção da peça”, apontou o jovem do Porto.
Já Sancha Santos, de 17 anos, descreveu a experiência como única e assumiu que o último bailado do espetáculo foi o “mais difícil”, por requerer muita energia e muito esforço. “Confesso que no início não tinha nada disso e o Benvindo [Fonseca] foi buscar isso dentro de mim. Acho que é isso que nos faz especiais. Nós conseguimos ser a transparência que ele quer que a gente seja ao transmitir a mensagem que ele quer que a gente passe”, disse a jovem de Coimbra, emocionada.
Para Núria Cardoso, de 20 anos, o “mais difícil foi mesmo começar”, depois de ter estado muito tempo parada, destacando o facto de o coreógrafo “saber abraçar” as dificuldades e os defeitos de cada um e “trabalhar a partir delas”. “Isso acaba por nos trazer um pouco de segurança e conforto”, disse a jovem de Tomar.
Já David Murta, de 20 anos, manifestou-se “muito realizado” por estar de regresso ao projeto que já tinha integrado em 2003 e que admitiu o ter ajudado no seu percurso. “Acabou por me dar competências que até então não tinha e que me conseguiu catapultar. Depois saí da escola e tive a oportunidade de estar dois anos numa companhia”, contou.
O espetáculo “Uma noite com Benvindo Fonseca” tem a duração de duas horas (com dois intervalos) e os bilhetes, que custam entre seis e dez euros, estão disponíveis na Ticketline e na bilheteira do CSF (aberta de segunda-feira a domingo, das 15h00 às 20h00).
Toda a programação do Convento São Francisco pode ser consultada em coimbraconvento.pt/pt/agenda ou através das redes sociais deste espaço municipal.
O Convento São Francisco é um equipamento cultural do Município de Coimbra, integrado na Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses e na Rede de Teatros com Programação Acessível.
LUSA/CM de Coimbra