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8 Abril 2026

Municípios do Baixo Mondego querem ser parte nas decisões sobre recursos do rio

A presidente da Câmara Municipal de Coimbra disse hoje que Coimbra, Soure, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz querem fazer parte das decisões relativas aos recursos hídricos do Mondego, como ocorreu nas recentes intempéries. “As bacias hidrográficas são da responsabilidade da APA [Agência Portuguesa do Ambiente], as barragens [a que estava em causa em Coimbra durante o mau tempo] são da responsabilidade da EDP. Quando há calamidades, a gestão das barragens passa para a APA, mas nesta calamidade [janeiro e fevereiro] as autarquias estiveram envolvidas nas decisões”, afirmou Ana Abrunhosa.

De acordo com a autarca, Coimbra, Soure, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz, concelhos que abrangem o Baixo Mondego, “pelo menos estes municípios, querem continuar a fazer partes da decisão, no que toca a gestão dos recursos hídricos no Baixo Mondego”.

 

Ana Abrunhosa intervinha na abertura do ‘workshop’ “Clima, histórias e território” – organizado pela Climate Frontlines, cocriada pelo Centro Europeu de Jornalismo e pela REVOLVE -, um evento dedicado à comunicação em emergências climáticas, que decorre hoje, no Convento São Francisco (CSF), em Coimbra.

 

Na sua intervenção, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra aludiu ainda ao facto de, no futuro, os desastres naturais serem uma realidade frequente, com impactos profundos, sendo que a região Centro “tem sido especialmente um território onde estas calamidades se sentem”.

 

“O que só acontecia nos Açores vai passar a acontecer na região Centro”, notou, defendendo que as alterações climáticas já são uma realidade, apesar de “ainda não estarmos preparados para elas”. Mas a atuação “não se pode esgotar apenas numa resposta de emergência”, sendo “a preparação tão mais importante do que a reação”, sustentou.

 

Além disso, as consequências das depressões que atingiram o país ainda hoje estão presentes nos territórios afetados, frisou, pontuando que “a calamidade não acaba quando o Governo decreta o seu fim”. Se não for transmitido que ainda há problemas, não serão “criadas as respostas políticas” e os “apoios adequados para esta calamidade”, disse Ana Abrunhosa, apontando a importância de os órgãos de comunicação social divulgarem a realidade das situações.

 

Os media regionais e nacionais, na ótica da autarca, tiveram um papel fundamental na transmissão de informação durante as intempéries, sendo o ‘workshop’ de hoje uma oportunidade para debater os desafios que os jornalistas enfrentam em períodos de calamidade e de como evitar os riscos a que, por vezes, estão expostos. O tema do evento “é atual e exigente: comunicação em contexto de emergência climática”, e o desafio que hoje reúne especialistas no CSF “é enorme”, nomeadamente de como efetuar melhor esta comunicação, antes, durante e depois das ocorrências. “Comunicar bem salva-vidas”, asseverou.

 

O secretário executivo da Região Metropolitana de Coimbra, Jorge Brito, em nome da presidente daquela entidade, que não pode estar presente por questões de saúde, notou que a cidade era o lugar ideal para a realização do evento.

 

Primeiro porque todo o território “se transformou num ‘hub’, por um lado, de manifestação de todas estas perigosidades” climáticas, mas também por todo o conhecimento produzido pelas diferentes instituições de ensino superior locais, um conteúdo que deve ser disponibilizado pelos jornalistas.

 

O ‘workshop’ “Clima, histórias e território” tem lugar no CSF – equipamento cultural que hoje completa dez anos – e realiza mesas redondas e oficinas participativas, com a presença de especialistas, como o investigador de incêndios florestais Domingos Xavier Viegas.

 

A iniciativa ajudará os jornalistas “a estarem mais preparados e capacitados” para comunicarem temas como eventos climáticos extremos e riscos associados.

 

LUSA / CM de Coimbra

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