Intervenção na íntegra:
“Nesta época tão duplamente especial que vivemos, quero começar por saudar todos e todas e desejar que a generalidade das pessoas possa acabar o ano de 2022 melhor do que terminou o ano de 2021.
Em 2020, o último Natal como vereador da oposição, pedi apenas 5 prendas ao grande criador do Universo.
Uma concretizou-se, a mudança eleitoral de 2021 que colocou Coimbra num novo ciclo estratégico. Outra, a ligação da rede de saneamento de águas residuais que serve o Dianteiro e lugares circundantes ao coletor central foi realizada ainda em 2021. As outras três prendas estamos agora nós a trabalhar nelas intensamente, a Habitação Social, a emergência climática e ambiental e a descentralização para as freguesias; hoje mesmo, nesta reunião, continuamos a cumprir uma deliberação decidida no anterior mandato mas não cumprida pelo anterior executivo, a apresentação de relatórios trimestrais do Gabinete de Apoio às Freguesias.
Este ano vou pedir apenas três prendas:
– Com uma subida de 18,6% nas receitas de impostos e de 9,6% nas contribuições sociais, o Governo, responsável pela maior carga fiscal de sempre, chega ao fim do ano com uma enorme folga orçamental. Saudamos o novo e necessário apoio pontual às famílias mais carenciadas, que também vai beneficiar as famílias pobres de Coimbra, mas recordamos que os problemas do país e da pobreza estrutural se resolvem com reformas estruturais e com desenvolvimento económico e não com caridade, todavia, exigimos que o Governo também apoie as autarquias para que estas possam cumprir a sua missão, pois, ao contrário do primeiro, que beneficia, as autarquias estão a ser profundamente castigadas pela inflação.
– À Ministra da Justiça peço que não prejudique Coimbra pelo facto de ser de Coimbra, como tantos outros já fizeram, peço que responda à carta que enviámos a solicitar uma audiência e peço que reconsidere as questões que nela referenciámos e que deram substância à moção aprovada nesta Câmara no passado mês de novembro.
– Volto ao Governo para pedir a ligação a Viseu com um IP3 com quatro faixas de qualidade e segurança rodoviária em toda a sua extensão. Questiono-mo se, para terem o respeito de Lisboa, a CIM de Coimbra e de Viseu-Dão Lafões, em particular os concelhos mal servidos pelo IP3, precisam de se unir e cortar em simultâneo a A1 e a Linha do Norte… Isto sem esquecer a continuidade da A13 e a esquecida ligação transversal da região de Coimbra à Beira Baixa. Não obstante, para 2023 olhamos com expetativas muito positivas a progressão das obras do MetroBus e da alta velocidade ferroviária, que virão revolucionar a mobilidade local e nacional, proporcionando um franco desenvolvimento sustentável.
Naturalmente, também o executivo tem de se comprometer com algo de relevante para 2023, para além de resolver os problemas do passado, como, por exemplo, a chuva dentro da Escola EB1 do Espírito Santo das Touregas, que o executivo anterior deixou com o telhado podre, que vai ser reabilitado no próximo ano.
Os nossos compromissos/prendas estão plasmados nas GOP para 2023, mas o que queremos aqui salientar para o próximo ano é o máximo empenho em continuarmos, com diálogo e transparência, a solucionar os problemas estruturais do concelho de Coimbra, de forma a recuperarmos do marasmo de muitos anos e recolocar Coimbra numa curva ascendente de restauração e revivificação das suas zonas históricas, de reforço da sua centralidade cultural e científica, de inovação e reindustrialização, de aposta no turismo, na mobilidade e no urbanismo, de criação de emprego, de desenvolvimento ambientalmente sustentável e de afirmação da marca Coimbra no plano nacional e internacional. Este é o único caminho para fazermos uma verdadeira diferença.
Não há milagres, só com muito trabalho, empreendedorismo e crescimento económico, com mais empresas, nacionais e internacionais, e mais empregos, é possível fazer crescer Coimbra e, de forma saudável, aumentar a receita da Câmara, para conseguirmos realizar mais investimento humano, social, cultural e económico.
Finalmente, uma palavra para as expetativas que colocamos com a entrada em vigor a 1 de Janeiro da nova estrutura nuclear e flexível da Câmara Municipal; o bom funcionamento da máquina camarária é imprescindível para concretizarmos as ambições de Coimbra; contamos com a dedicação dos dirigentes que se mantêm e dos novos dirigentes, que estamos a convidar entre os melhores, a quem desejo as maiores felicidade e realização profissional. Na verdade, o nosso trabalho depende do trabalho dos cerca de 2500 trabalhadores da Câmara Municipal de Coimbra, incluindo os SMTUC.
A todos e a todas um obrigado por 2022 e os desejos de um Santo e muito Feliz Natal e de um melhor 2023, com saúde, alegria e realização profissional.”