“A sala [o Grande Auditório do Convento São Francisco] está quase cheia”, adianta Paulo Jacob à agência LUSA. “Isso é algo que mexe um bocadinho connosco. O pessoal está a viver isto de forma intensa”, admite o coordenador da banda, também músico, reconhecendo que “é bom ver este interesse à volta da banda”, que viveu dois últimos anos “indescritíveis”. “Superaram completamente as nossas expectativas”, realçou o coordenador.
Da parceria com a Omnichord Records nasceu o disco de estreia, “Somos punks ou não?”, de 2021. Depois disso, a banda criada pelo musicoterapeuta Francisco Sousa (já falecido) pelo motivo de Fausto Sousa querer ser estrela rock – o vocalista é o único elemento que se mantém desde o início – deu um grande salto. “Gravámos um disco, um documentário, um videoclipe que foi nomeado para os Prémios Play e fizemos e continuamos a fazer uma série de festivais”, como o pré-Paredes de Coura, o Bons Sons, o Luna Fest, refere Paulo Jacob, lembrando que até subiram ao palco com os britânicos Coldplay. Há pouco concluíram uma digressão pela República Checa, Hungria, Eslovénia e Luxemburgo.
Paulo Jacob lembra a relutância com que os 5.ª Punkada entraram na sua vida, há mais de 22 anos. “Eu era daquelas pessoas que evitava ao máximo trabalhar com pessoas com deficiência”, admite. Contudo, bastaram dez minutos num ensaio para ficar “completamente rendido”. A revolução que aconteceu na vida de Paulo é a revolução que o grupo quer disseminar na sociedade através da música”, realça o coordenador, revelando mesmo que recusaram outras propostas para gravar discos porque os convites “eram uma espécie de aproveitamento ‘freak show’” da deficiência.
Nos 5ª Punkada, hoje “um grupo bastante coeso”, pesa muito mais a questão da participação do que a inclusão. As letras continuam a ser de Fausto Sousa, mas as composições surgem de ideias de todos os elementos. “Gera-se uma energia muito positiva” nos ensaios na APPC, na Quinta Conraria, em Coimbra. “Temos aprendido muito uns com os outros, a relacionarmo-nos com os outros, musical e não musicalmente”, adianta Jacob.
Através da exposição “bastante positiva e muito dignificante”, o sucesso dos últimos anos faz-lhes crer que estão a “fazer jus à máxima de criar uma espécie de revolução mental, uma revolução de atitude” na “perceção da sociedade relativamente à pessoa com deficiência”. Afinal, “se há gente a querer ver-nos cada vez mais e que tem uma resposta bastante positiva, bastante inclusiva e motivadora, só pode ser bom”. “Estamos no bom caminho”, acredita o coordenador.
Os 5ª Punkada vão subir ao palco do Grande Auditório do Convento São Francisco no próximo dia 18 de dezembro, às 21h30, com alguns convidados e a apresentação de algumas músicas que vão integrar o próximo disco, esperado no início do próximo ano. Os bilhetes para o espetáculo já estão à venda nos locais habituais, nomeadamente na bilheteira do Convento São Francisco e na BOL, em https://shorturl.at/dvwAV.
Paulo Jacob diz que a banda “gostava de chegar aos 40” anos, mas não pensam muito no futuro. Em todo o caso, estiveram no Festival MIL – Lisbon Internacional Music Network, “uma espécie de mostra para os olheiros da indústria musical” e tiveram lá cerca de 100 pessoas. “Houve muita gente interessada, portanto ‘the sky is the limit’ [o céu é o limite], como dizem os ingleses, não é?”, concluiu.
Toda a programação pode ser consultada em coimbraconvento.pt/pt/agenda ou através das redes sociais do Convento São Francisco. Para mais informações, os interessados devem contatar a bilheteira do Convento São Francisco (diariamente, entre as 15h00 e as 20h00) através do telefone 239 857 191 ou do e-mail bilheteira@coimbraconvento.pt.
O Convento São Francisco é um equipamento cultural do Município de Coimbra, integrado na Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses.
LUSA/CM de Coimbra