“A Europa tem de corrigir três recentes erros estratégicos que muito caro nos custaram: a excessiva dependência energética da Rússia, a excessiva dependência industrial da China e a excessiva dependência militar dos Estados Unidos”, sublinhou José Manuel Silva, na sua intervenção na sessão de abertura da 18.ª cimeira COTEC Europa. O autarca alertou que “quem depende demasiado fica sempre fragilizado”. “Sabemos que só uma Europa forte, ambiciosa, unida e combativa poderá afirmar-se neste século XXI cada vez mais competitivo, incerto e volátil”, acrescentou.
José Manuel Silva salientou, ainda, que acredita nos valores fundadores da Europa, nomeadamente na liberdade, democracia, solidariedade, paz e desenvolvimento, num mercado único e na inovação como motor de progresso, e na coesão territorial como fator de justiça. “Neste contexto, a COTEC é uma peça essencial do puzzle internacional. Esta cimeira é um apelo à ação, um manifesto a favor da Europa que não se resigna, que lidera, que transforma, que intervém”, referiu.
Os chefes de Estado de Portugal, Espanha e Itália, respetivamente Marcelo Rebelo de Sousa, Felipe VI e Sergio Mattarella discursaram na sessão de encerramento da cimeira, que contou também com a participação do ex-presidente do Banco Central Europeu e antigo primeiro-ministro italiano Mario Draghi. Em cima da mesa, esteve o futuro da Europa.
O Rei de Espanha, Felipe VI, pediu ação “com sabedoria, vigor e audácia” em defesa do projeto europeu de economia aberta, democracia e liberdade, considerando que “tudo isso está em risco” se faltar uma resposta atempada. Já o Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, considerou urgente avançar na defesa comum europeia. Sergio Mattarella salientou o tema do encontro, “Apelo à ação”, e afirmou que “é de facto urgente que a Europa aja, porque ficar parada já não é uma opção”. Os dois chefes de Estado, espanhol e italiano, deixaram elogios ao chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, “pelo seu apoio constante” e “atitude positiva”, realçou Felipe VI, e pelo “incansável empenho” no projeto europeu, salientou Sergio Mattarella.
Ontem, o dia ficou marcado pela cerimónia de distinção do Rei de Espanha, Felipe VI, e do Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, com o título de doutor honoris causa, respetivamente pela Faculdade de Direito e pela Faculdade de Economia, que decorreu na Sala dos Capelos, na Universidade de Coimbra.
A cerimónia contou, entre outros, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que elogiou as “notáveis virtudes” do Rei de Espanha, Felipe VI, e do Presidente de Itália, Sergio Matarella, num discurso totalmente proferido em latim, que “é a raiz” das línguas de Portugal, Espanha e Itália. “Respeito da dignidade humana, caráter, inteligência, sentido de missão, temperança, visão universal”, foram algumas das virtudes destacadas por Marcelo Rebelo de Sousa. “Outras virtudes existem e são importantes. Estas são as decisivas, para governar os povos, para os amar, para os servir, para dar exemplo de vida, para honrar as nossas pátrias irmãs, para merecer a láurea da Universidade de Coimbra, escola de virtudes pessoais e comunitárias”, acrescentou.
A 18.ª cimeira COTEC Europa começou ontem e terminou hoje em Coimbra. O evento contou com a presença, também, do vice-presidente da CM de Coimbra, Francisco Veiga, e dos vereadores Ana Bastos, Ana Cortez Vaz, Carlos Matias Lopes e Miguel Fonseca.
Os encontros COTEC Europa realizam-se anualmente, de forma rotativa, em Espanha, Itália e Portugal, e têm juntado, nos últimos anos, Marcelo Rebelo de Sousa, Felipe VI e Sergio Mattarella. A COTEC é uma associação empresarial que trabalha em rede com instituições de Portugal, Espanha e Itália, realizando um encontro triangular, todos os anos, de forma rotativa em cada um dos países, reunindo líderes empresariais, académicos e decisores políticos para debater desafios de competitividade e crescimento económico do bloco europeu, com base nos relatórios Heitor, Letta e Draghi.
LUSA |CM de Coimbra
Créditos fotográficos: Câmara Municipal de Coimbra | Catarina Gralheiro