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13 Fevereiro 2026

Coimbra mantém alerta com perspetiva de estabilização

Coimbra mantém alerta com perspetiva de estabilização

Coimbra continua esta sexta-feira, 13 de fevereiro, em alerta máximo devido ao risco de cheia do Mondego, mas os dados mais recentes permitem encarar as próximas horas com prudente otimismo. A precipitação durante a madrugada foi inferior ao inicialmente previsto e as descargas preventivas criaram margem de encaixe nas barragens. O período mais sensível concentra-se agora até cerca das 19h00, altura em que será feito novo ponto de situação público.

A atualização foi feita após reunião técnica da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e encontro no Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, com a presença do Primeiro-Ministro, da Ministra do Ambiente e Energia, dos autarcas de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure e das entidades da Proteção Civil.

 

Presidente da Câmara pede prudência e mantém evacuações até nova indicação

A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, destacou que, apesar de a noite ter corrido “muito melhor do que o esperado”, o concelho permanece em vigilância reforçada.

 

“A nossa expectativa é que o pior possa estar a passar, mas não podemos baixar a guarda”, afirmou.

 

A autarca sublinhou que as zonas já evacuadas devem manter-se desocupadas até nova indicação e apelou à responsabilidade individual. “Quem já foi evacuado não deve regressar a casa. Esta é ainda uma tarde de prevenção”, assinalou.

 

Ana Abrunhosa reconheceu que as decisões tomadas (evacuações, encerramento de escolas, cortes de vias e restrições preventivas) causaram transtornos à vida normal, mas foram essenciais para evitar danos mais graves. “Causámos danos controlados para evitar danos maiores. Isto é proteção civil”, salientou.

 

A presidente reforçou que, caso a evolução se mantenha favorável, poderá ser comunicada uma melhoria substancial ao final do dia, mantendo-se até lá a vigilância máxima.

 

Gestão preventiva das barragens evitou cenário mais grave

Do ponto de vista técnico, o presidente da APA, José Pimenta Machado, explicou que a estratégia adotada desde janeiro foi decisiva para reduzir o impacto da atual situação.

 

Foram realizadas descargas controladas para aumentar a capacidade de encaixe nas barragens da Aguieira e das Fronhas antes da chegada dos picos de precipitação. A quota de cheia prevista para a Aguieira era de 117 metros, tendo sido antecipadamente reduzida para 114 metros, criando uma margem adicional de segurança.

 

Esta gestão intensiva permitiu absorver volumes significativos de água. Sem estas descargas preventivas, os caudais poderiam ter ultrapassado os 3.000 m3/s à chegada ao açude-ponte, com consequências muito mais severas para a cidade e baixo Mondego. O objetivo mantém-se claro: garantir que o caudal em Coimbra não ultrapasse os 2.000 m3/s, valor considerado crítico para galgamentos urbanos significativos.

 

Segundo a APA, está previsto um pico de afluência à barragem da Aguieira por volta das 17h00, associado à precipitação registada na Serra da Estrela, com pressão máxima no sistema até cerca das 19h00. Caso a quota da barragem se aproxime do limite de segurança (124,7 metros), poderá ser necessário ajustar os débitos. Existe, contudo, uma margem temporal entre a Aguieira e Coimbra que permitirá, se necessário, atuar preventivamente junto da população.

 

As previsões meteorológicas apontam ainda para um possível período de acalmia a partir de sábado, prolongando-se até meados da próxima semana.

 

Governo garante apoio e destaca esforço conjunto

O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, reconheceu que a gestão preventiva do sistema hídrico foi determinante para mitigar impactos e elogiou o trabalho das autoridades locais e regionais.

 

“Todos têm dado o seu esforço e dedicação neste período muito exigente”, afirmou, sublinhando que o Estado mantém todos os meios no terreno para proteger pessoas, bens e património.

 

O chefe do Governo garantiu que ninguém ficará para trás e anunciou que está em preparação um programa nacional de recuperação para apoiar famílias, empresas e produtores agrícolas afetados. Já se encontram em curso medidas de apoio à habitação própria e permanente, com milhares de pedidos registados.

 

Alerta mantém-se até nova avaliação

Apesar dos sinais encorajadores, as autoridades mantêm o nível máximo de vigilância até ao início da noite. A prioridade continua a ser a salvaguarda de vidas humanas, com decisões tomadas exclusivamente com base em critérios técnicos.

 

Se a evolução se confirmar favorável, o concelho poderá entrar numa fase de estabilização. Até lá, mantém-se o apelo à prudência e ao cumprimento rigoroso das indicações da proteção civil.

 

Proteger vidas continua a ser o objetivo central de todas as decisões.

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