As celebrações tiveram início em fevereiro de 2025, mês do nascimento de Carlos Paredes, com destaque para os espetáculos “Six Organs of Admittance & Norberto Lobo – Paredes”, que juntou a dupla Ben Chasny e Norberto Lobo, e “100Paredes – Espetáculo Documentário”, que reuniu mais de 1.000 espetadores, ambos no Convento São Francisco. Ao longo do ano, este equipamento cultural municipal acolheu ainda diversos momentos relevantes integrados na programação, nomeadamente no âmbito do festival “Correntes de um só Rio”, cuja 8.ª edição teve Carlos Paredes como figura central. Entre os dias 1 e 5 de outubro de 2025, realizaram-se espetáculos, concertos e apresentações editoriais que envolveram centenas de participantes e público, incluindo o concerto de homenagem ao guitarrista, com mais de 300 espectadores, e outras propostas como “Perpétuo Paredes”, “Piano Perpétuo” e “Carlos Paredes, pelas mãos de Henrique Fraga”. Em conjunto, estas iniciativas trouxeram ao Convento São Francisco mais de mil pessoas.
Ainda no plano performativo, no âmbito da atividade da Divisão de Cultura, destaca-se o concerto de Stereossauro, realizado no âmbito das comemorações do 25 de Abril, que reuniu cerca de 3.000 pessoas, constituindo um dos momentos mais participados de todo o programa. A programação integrou também um palco de homenagem a Carlos Paredes na Feira do Livro, com destaque para o concerto Animais Revisitam Paredes, e ainda algumas iniciativas pontuais no ciclo “Verão a 2 Tempos”, nomeadamente “Serenata a Paredes, Parte I” com Luís Figueiredo e Hugo Santos e “Serenata a Paredes, Parte II”, com Lua Carreira e Ângela Bismarck em coprodução com a produtora Blue House, reforçando a presença da obra de Carlos Paredes em diferentes contextos culturais da cidade.
Na vertente expositiva e de investigação, a Biblioteca Municipal promoveu a mostra “Carlos Paredes: Uma Guitarra Intemporal”, bem como um conjunto de iniciativas complementares, incluindo um tributo com intervenção de Jorge Cravo e momentos musicais ao vivo. Paralelamente, foi publicado o artigo “A influência da Escola Guitarrista de Artur Paredes e do imaginário da Canção de Coimbra na obra discográfica de Carlos Paredes”, no volume XLVI do Arquivo Coimbrão, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento académico sobre o artista.
A programação integrou ainda ações descentralizadas e inovadoras, como a iniciativa de colocação de QR codes em paragens de autocarro e outros pontos estratégicos da cidade, permitindo o acesso direto a oito álbuns emblemáticos de Carlos Paredes. Esta ação, promovida pela Divisão de Museologia, reforçou a dimensão de proximidade e de acessibilidade da cultura, convidando cidadãos e visitantes a contactar com a obra do guitarrista no espaço público.
Esta programação integrou também uma relevante vertente editorial, com a apresentação e o lançamento de várias obras que contribuíram para o aprofundamento do conhecimento sobre o universo do guitarrista e a tradição em que se insere. Entre os destaques, contam-se a apresentação do livro “Carlos Paredes – A Guitarra de um Povo”, de Octávio Fonseca, bem como o lançamento da obra “Amigo Paredes”, de Paulo Sérgio dos Santos, e do livro “Pioneirismo, genialidade e modernidade em Arthur Paredes (1899-1980)”, da autoria de António Manuel Antunes. Estas edições, a par da publicação do artigo científico dedicado à influência da escola guitarrista de Artur Paredes na obra de Carlos Paredes, reforçaram a dimensão de investigação e de reflexão crítica associada à efeméride.
No âmbito da Sessão Solene do Dia da Cidade, a 4 de julho, destaque também para a atribuição da medalha da cidade (grau ouro), a título póstumo, a Artur e Carlos Paredes.
Por sua vez, os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) lançaram um autocarro comemorativo do centenário do nascimento de Carlos Paredes, com o objetivo de criar um símbolo itinerante da sua obra e legado, promovendo o contacto direto da população com a sua arte.
O encerramento das comemorações ocorreu em abril de 2026, devido à necessidade de adiamento das iniciativas previamente agendadas para fevereiro, face às condições meteorológicas e ao risco de cheia, com um conjunto de atividades de forte carga simbólica, entre as quais o concerto de homenagem na Torre de Anto, protagonizado pelo Grupo de Fado D’Anto, que esgotou a lotação disponível. Este momento foi complementado pela apresentação, no Convento São Francisco, do espetáculo “Viagens entre Paredes”, numa parceria com a Associação Cultural Museu da Música de Coimbra.
No seu conjunto, as iniciativas promovidas ao longo de mais de um ano envolveram milhares de participantes, refletindo o impacto de uma programação que cruzou criação artística, investigação e mediação cultural, e reafirmando Coimbra como território profundamente ligado ao legado de uma das mais marcantes figuras da música portuguesa. No total, as iniciativas promovidas no âmbito do centenário de Carlos Paredes envolveram milhares de participantes e de espectadores, refletindo o impacto e a relevância de uma programação que valorizou simultaneamente a dimensão artística, educativa e patrimonial.