Metz, cidade francesa de dimensão comparável a Coimbra, mostrou o caminho. O seu sistema Mettis de autocarros de alta capacidade em corredor dedicado, com prioridade semafórica e estações de qualidade transformou em poucos anos os hábitos de mobilidade da cidade: frequência elevada, previsibilidade total e uma rede desenhada para servir hospitais, universidade e bairros residenciais. É a prova de que um BRT bem executado rivaliza com qualquer metro.
O Sistema de Mobilidade do Mondego é a nossa oportunidade equivalente, mas o seu sucesso exige fechar a malha do Metrobus na cidade. Ao expandir e consolidar linhas e interfaces, garantiremos cobertura integral dos principais polos de emprego, saúde, habitação e ensino. O objetivo estratégico é simples: que quem usa o Metrobus chegue ao destino de forma mais rápida, previsível e confortável do que de carro próprio.
Esta transição não significa diabolizar o automóvel, mas geri-lo com equilíbrio e bom senso. O carro continua a ser um instrumento essencial de autonomia, sobretudo para quem cá mora. Os residentes das zonas centrais e históricas não serão penalizados: garantiremos acessibilidade, estacionamento exclusivo e facilidade de circulação, para que a redução do trânsito de passagem sirva precisamente para proteger quem cá vive.
Para libertar o centro sem prejudicar o comércio ou quem nos visita das periferias e concelhos vizinhos, instalaremos parques dissuasores nas principais entradas de Coimbra: plataformas intermodais cómodas e económicas, com ligação rápida e frequente à rede de transportes públicos. Deixar o carro à entrada da cidade tem de ser mais fácil do que trazê-lo para dentro dela.
Como demonstrado ao longo da trilogia de artigos que compõem uma visão de transformação para Coimbra, temos tudo o que precisamos para mudar de vida nos próximos anos. Bordéus devolveu o rio às pessoas, Toledo e Pontevedra mostraram-nos como a colina volta a ser a assinatura de uma cidade histórica e Metz fez o sistema de mobilidade rivalizar com o carro. Contudo, a síntese será nossa: Coimbra não copia, adapta com a sua escala, o seu património e a sua gente. Avançar Coimbra é desenhar um futuro onde o Mondego nos une, o verde ganha espaço ao betão, os residentes são respeitados e as ruas ganham nova vida. É esta a Coimbra que já começámos a construir com todos.
Publicado na edição de 30/07/2026 do Diário de Coimbra