Medidas de Humanização e Desenho Urbano:
Zonas de Coexistência (Limite de 20 km/h): O expoente máximo da rua para os cidadãos. Elimina-se a barreira entre passeio e estrada (piso a nível único), garantindo prioridade absoluta ao peão. Toda a largura da via passa a estar disponível para circulação, encontro e lazer, com o estacionamento estritamente condicionado. Podemos facilmente imaginar o Bairro Norton de Matos como um caso piloto.
Zonas de Acalmia de Tráfego (ex.: Zonas 30): Reconfiguração do espaço em bairros residenciais, zonas escolares e hospitalares com limites até 30 km/h. Recorre-se a soluções de engenharia viária – como estreitamento de faixas, lombas, passadeiras elevadas e rotundas – para desacelerar o tráfego a motor e devolver a serenidade ao espaço público. Podemos começar este projeto na zona de Celas.
Acalmia em Meio Rural e Periurbano: Intervenções em vias com forte tráfego de atravessamento ou sem passeios, garantindo percursos pedonais dignos e protegidos para os residentes habitualmente mais expostos.
Projetos de Intervenção Tática nas Freguesias: Ações urgentes e de rápida execução nos arruamentos mais críticos, funcionando como demonstradores imediatos de como readequar estradas à vida comunitária.
Rua Segura para as Crianças: Incentivo para que as escolas e os pais cada vez mais afira ao conceito de “comboios de bicicletas”, em rotas escolares, assegurando percursos acompanhados e regulares para que os mais novos usufruam da cidade em segurança. Exige trabalho articulado entre a câmara, as escolas, os pais e as forças de segurança.
Tecnologia Pedonal e Sensibilização: Instalação de passadeiras inteligentes (com iluminação reforçada, sinalização dinâmica e deteção automática de peões) e campanhas orientadas para os jovens durante eventos festivos (como a Queima das Fitas e a Latada).
Governação e Compromisso
Com o apoio técnico e de dados da ANSR, bem como candidaturas conjuntas a fundos europeus, o município integrará estes princípios no seu Plano Municipal de Segurança Rodoviária. O objetivo final é claro: deixar de construir cidades para os carros e construir um concelho feito para as pessoas, inclusivo, sustentável e onde a vida humana é integralmente protegida.
Publicado na edição de 04/08/2026 do Diário de Notícias