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11 Setembro 2026

24.ª edição do Festival Jazz ao Centro em Coimbra reforça a ligação à cidade, à região e às comunidades

24.ª edição do Festival Jazz ao Centro em Coimbra reforça a ligação à cidade, à região e às comunidades

A 24.ª edição do Festival Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra decorre em 2026 com um programa que se estende ao longo de dez dias (1 a 10 de outubro), mas que amplia a sua presença no território através de um conjunto alargado de iniciativas de mediação e circulação. Mantendo o compromisso de “honrar o passado e explorar o futuro”, o festival reforça este ano a sua dimensão pública e social, aproximando a criação artística das escolas, das comunidades e de diferentes municípios da Região Metropolitana de Coimbra. A iniciativa foi apresentada ontem, dia 10 de setembro, no Salão Brazil, com a presença da vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, Margarida Mendes Silva.

O Festival Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra (FJaC) nasceu em 2003, com os primeiros concertos a antecederem a própria constituição formal do Jazz ao Centro Clube, associação cultural que, desde a primeira hora, coorganiza o festival com o Município de Coimbra.

 

Em 2026, o FJaC celebra a sua 24.ª edição, com um núcleo de programação que se estende ao longo de dez dias, mas com a importante dimensão do programa de mediação e de circulação a ocupar um período mais alargado. O festival faz parte de um trabalho de continuidade, profundamente enraizado na identidade do Jazz ao Centro Clube, entidade responsável, entre outras áreas, pela gestão e programação do Salão Brazil e pela dinamização da jazz.pt, única publicação especializada em jazz em Portugal.

 

Este trabalho assenta numa escuta atenta do que se vai fazendo em território português e na procura de formas de o festival contribuir para a concretização de projetos artísticos ambiciosos e transformadores. São os casos, nesta edição, do OMNIAE Large Ensemble, de Pedro Melo Alves, do ENSEMBLE OF OTHER LIVING BEINGS, de Yaw Tembe, e de EMBRYO, de Luís Figueiredo.

 

“Honrar o passado e explorar o futuro”

Se, do ponto de vista estritamente artístico, os Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra mantêm a orientação de “honrar o passado e explorar o futuro”, expressando o compromisso de divulgar, simultaneamente, a riqueza da tradição e os muitos caminhos do futuro, noutros domínios esta edição apresenta algumas novidades. Em 2026, o festival reforça a aposta no impacto público e social do programa artístico.

 

Esta aposta faz-se de duas formas estreitamente ligadas. Por um lado, o festival projeta a sua presença na Região Metropolitana de Coimbra, com o mote “Um Festival para uma Região”. Desta forma, os Municípios da Lousã, Mortágua, Miranda do Corvo e Pampilhosa da Serra recebem a circulação do espetáculo educativo “Às Voltas no Loop”, uma criação do Serviço Educativo e de Mediação do JACC, que terá o seu primeiro concerto no dia 14 de outubro, no Grande Auditório do Convento São Francisco, em Coimbra, seguindo depois para diferentes municípios da região. Já estão confirmadas as apresentações de Mortágua, a 19 de outubro, e da Lousã, a 18 de novembro. Em breve serão anunciadas as datas de Miranda do Corvo e Pampilhosa da Serra. Dirigido ao público escolar do Ensino Secundário, o espetáculo cruza a palavra com as abordagens musicais que confluem no território vasto do rap, do hip-hop e do jazz.

 

Por outro lado, a 24.ª edição do Festival Jazz ao Centro guarda um espaço central para o programa de mediação. Tal deve-se a vários fatores, mas a razão fundamental prende-se com o Compromisso de Impacto Social das Organizações Culturais, uma medida do Plano Nacional das Artes, que enquadra um trabalho estruturado e estruturante, centrado, sobretudo, numa relação de proximidade com o Agrupamento de Escolas Coimbra Centro (AECC). Desta forma, e além de “Às Voltas no Loop”, o programa contempla oficinas dirigidas a escolas do AECC e um concerto aberto à comunidade na Escola-Sede, a Escola Secundária Jaime Cortesão. Trata-se de atuar com base nos princípios do PNA, trabalhando para fazer da Escola “um polo cultural” e do Festival “um território educativo”.

 

Exposição “As Mulheres no Jazz em Portugal”

A edição de 2026 inaugura-se, aliás, com um momento que coloca em evidência uma outra dimensão da programação. No dia 1 de outubro, Dia Mundial da Música, o Salão Brazil recebe a inauguração da exposição “As Mulheres no Jazz em Portugal”, de Márcia Lessa, que ficará patente no número 1 do Largo do Poço, com o apoio do Município de Idanha-a-Nova.

 

A exposição pretende colocar em evidência os rostos das mulheres que fazem o jazz em Portugal, desde os anos 60 até à atualidade, reunindo retratos inéditos de 13 mulheres que escolheram o jazz como forma de expressão musical: Estela Alexandre, Isabel Rato, Jéssica Pina, Juliana Mendonça, Maria Carvalho, Maria João, Maria Viana, Marta Hugon, Paula Oliveira, Paula Sousa, Rita Maria, Sara Serpa e Susana Santos Silva.

 

Programação em vários espaços da cidade

Os impactos públicos do festival concretizam-se também na ligação de vários espaços tão ricos e diversos quanto o Museu Nacional Machado de Castro, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, o Atelier Semente, situado no Seminário Maior, e o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). Estes espaços, a par do Salão Brazil, da Escola Secundária Jaime Cortesão e do Largo de São Salvador, integram a rede de lugares que acolhe a programação da 24.ª edição, reforçando a relação do festival com diferentes comunidades e com o património cultural e artístico da cidade.

 

O percurso que liga o Museu Nacional Machado de Castro, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e o Atelier Semente marca um dos dias do festival, com a apresentação de concertos por formações mais pequenas extraídas do OMNIAE Large Ensemble, dirigido pelo baterista e compositor Pedro Melo Alves, que se apresenta também no TAGV. O projeto constitui um dos exemplos mais singulares do cruzamento entre composição contemporânea e improvisação jazz em Portugal.

 

Ao longo dos dias do festival, a programação percorre diferentes espaços da cidade, mas todos os dias terminam no Salão Brazil, espaço de referência do Jazz ao Centro Clube e casa do festival. No último dia, 10 de outubro, o destaque vai para o concerto de Carlos Bica AZUL, às 23h00, que reúne o contrabaixista Carlos Bica com Frank Möbus, na guitarra, e Jim Black, na bateria. O projeto AZUL, uma das formações mais marcantes da carreira de Carlos Bica, encerra a 24.ª edição do Festival Jazz ao Centro.

 

Merecedora de destaque é também a passagem pelo Largo de São Salvador, numa parceria com as Repúblicas Baco, Marias do Loureiro e do Cria’ctividade, programa de integração alternativo à praxe, numa altura em que duas das Repúblicas resistem à ordem de despejo que ameaça a sua continuidade. Neste local acontecerá o concerto de Hypomaniac Trio, com a saxofonista Camila Nebbia (Argentina), o contrabaixista Gonçalo Almeida (Portugal) e o percurssionista Sylvain Darrifourcq (França).

 

Mais do que um conjunto de concertos, o Festival Jazz ao Centro procura promover a participação cultural, mobilizando diferentes comunidades para a preservação do património cultural, a fruição das artes e o fortalecimento das conexões cívicas.

 

O Festival Jazz ao Centro é apoiado e cofinanciado pela DGARTES.

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