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5 Outubro 2026

Coimbra defende inovação urbana ao serviço dos problemas concretos das pessoas em conferência internacional

“Uma cidade não é inteligente por acumular tecnologia. É inteligente quando consegue utilizar o conhecimento, a inovação e a criatividade para resolver problemas concretos das pessoas.” A mensagem foi deixada pela presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, no encerramento da conferência internacional “My City, Our Lab – Human. Smart. Liveable.”, realizada no dia 1 de outubro, nos Paços do Concelho. O encontro reuniu cidades de vários continentes para partilhar experiências de inovação urbana, sustentabilidade e participação cidadã, no âmbito da International Human Smart Living Lab Network, cuja Comunidade de Prática é liderada por Coimbra.

A conferência constituiu o principal momento público da missão internacional realizada em Coimbra no âmbito do International Urban and Regional Cooperation (IURC), programa financiado pela União Europeia que promove a cooperação e a transferência de conhecimento entre cidades e regiões.

 

A rede liderada por Coimbra integra também Adelaide, Christchurch, Granada e Jeonju, aproximando territórios com contextos muito diferentes, mas confrontados com desafios urbanos comuns. A missão contou ainda com a participação de Hamburgo, nomeadamente na reflexão em torno da transformação digital das cidades.

 

Na sessão de encerramento, Ana Abrunhosa defendeu que a tecnologia só ganha verdadeiro sentido quando se traduz em melhores respostas para quem vive as cidades.

“Uma cidade não é inteligente por acumular tecnologia. É inteligente quando consegue utilizar o conhecimento, a inovação e a criatividade para resolver problemas concretos das pessoas, quando torna a vida mais fácil, mais sustentável, mais inclusiva e mais feliz”, afirmou.

 

Cooperação para encontrar respostas comuns

A presidente da Câmara enquadrou esta visão nos grandes desafios que hoje se colocam às cidades, entre os quais a emergência climática, o envelhecimento demográfico, as desigualdades sociais e territoriais, as mudanças na mobilidade, a transição digital e a necessidade de tornar os territórios mais resilientes.

 

Para Ana Abrunhosa, nenhuma cidade conseguirá responder isoladamente a problemas desta dimensão, assumindo a cooperação internacional um papel central na procura e experimentação de novas soluções.

 

“Quando uma cidade partilha os seus sucessos acelera o progresso das restantes; quando partilha as suas dificuldades ajuda outras cidades a evitar os mesmos obstáculos”, sublinhou, acrescentando que o desenvolvimento conjunto de metodologias, projetos e conhecimento permite criar respostas “mais rápidas e mais eficazes para os cidadãos”.

 

Foi com esse objetivo que Coimbra assumiu a liderança da Comunidade de Prática da Human Smart Living Lab Network, promovendo a troca de experiências e a aprendizagem entre cidades e procurando transportar esse conhecimento para a resolução de desafios concretos no território.

 

Cidades apresentaram experiências de inovação urbana

A conferência abriu com uma intervenção do vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Miguel Antunes, seguindo-se a apresentação dos objetivos da rede por Rita Fernandes, responsável pelo Centro de Inteligência de Coimbra, e o enquadramento do programa IURC por Sandra Marin Herbert, Knowledge Transfer Manager do programa.    

 

Ao longo da manhã foram apresentadas experiências de diferentes cidades parceiras. Jeonju, na Coreia do Sul, abordou a passagem da governação participativa para a experimentação urbana; Granada apresentou o seu Smart Living Lab aplicado ao Geoparque; e Adelaide, na Austrália, partilhou o trabalho desenvolvido em torno do arrefecimento urbano e da regeneração do rio. Christchurch, na Nova Zelândia, apresentou a experiência da cidade enquanto living lab, enquanto Coimbra levou à conferência a intervenção “Coimbra: The City as a Living Lab – Co-creating Urban Innovation with People”, apresentada pelo vice-presidente Miguel Antunes.

 

Durante a missão, os parceiros internacionais tiveram ainda oportunidade de conhecer projetos e experiências desenvolvidos em Coimbra e na região nas áreas da economia azul, sustentabilidade ambiental, resiliência climática, inovação e empreendedorismo, envolvendo parceiros científicos e institucionais.

 

Pessoas no centro da inovação

Na sua intervenção, Ana Abrunhosa destacou precisamente as pessoas como o elemento diferenciador de qualquer estratégia de inovação urbana. Cidadãos, investigadores, empresas, jovens, população mais velha, associações e trabalhadores fazem parte, segundo a presidente, de um ecossistema que deve ser chamado a participar na construção das respostas para a cidade.

 

“Quando falamos de inovação urbana, de sustentabilidade, de regeneração ou de mobilidade, estamos acima de tudo a falar de cidadania”, afirmou, defendendo a capacidade de envolver as pessoas nas soluções e de criar um espaço público vivido, partilhado e usufruído por todos.

 

É também esta lógica que Coimbra pretende aprofundar através do #CoimbraCityLab, evoluindo a utilização da cidade como laboratório de experimentação em contexto real e aproximando conhecimento científico, inovação, participação cidadã, sustentabilidade e qualidade de vida.

 

No âmbito da Human Smart Living Lab Network, o rio Mondego e as suas margens constituem o primeiro território escolhido por Coimbra para aplicar esta metodologia, num espaço onde se cruzam questões relacionadas com biodiversidade, ambiente, mobilidade, acessibilidade, espaço público, lazer e atividade económica.

 

A abordagem parte da identificação dos problemas e do envolvimento dos cidadãos, instituições e conhecimento técnico e científico na construção, teste e avaliação de soluções, que possam depois ser partilhadas com as restantes cidades da rede.

 

No encerramento da conferência, Ana Abrunhosa sintetizou esta ambição numa ideia: “Nenhuma cidade muda verdadeiramente quando muda uma rua, um edifício ou uma praça. Uma cidade transforma-se quando consegue mobilizar as suas pessoas para acreditarem num futuro comum”.

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