O novo painel de grandes dimensões (8×3 metros) já se encontra instalado no Mercado Municipal D. Pedro V, dando continuidade à participação de Coimbra neste projeto de arte pública, que termina este mês. Durante outubro, está patente a obra “O Processo da Nadização”, da autoria de Félix Mula.
“O Processo da Nadização” refere-se “ao processo de tornar algo em nada, isto é, de anular, esvaziar ou reduzir à inexistência ou à insignificância”, pode ler-se na sinopse da obra. A obra propõe uma leitura concreta do conceito de “nadização”, que “designa aqui a inscrição do tempo como agente de apagamento, um processo contínuo de transição do visível para o indiferenciado”.
Organizada em sequência, a imagem acompanha a decomposição progressiva de um corpo orgânico, cuja presença inicial se vai dissipando até se confundir com o solo envolvente. “Ao persistir enquanto registo, a imagem não fixa um objeto, mas documenta a sua própria dissolução, tornando visível um processo em que o desaparecimento é, simultaneamente, transformação e continuidade”, conclui a sinopse.
Biografia do artista
Félix Mula nasceu em Maputo, Moçambique, em 1979. Com formação em artes visuais em Maputo e na Ilha da Reunião, trabalha entre fotografia, vídeo e instalação, articulando práticas artísticas com experiências vividas. É também docente no Instituto Superior de Artes e Cultura, tendo sido distinguido com o prémio Novo Banco Photo em 2016.
Projeto passou por sete cidades
O projeto “Outdoor ’26” circulou por sete cidades portuguesas até este mês, apresentando mensalmente uma nova obra concebida especificamente para este contexto urbano. Além de Coimbra, o circuito incluiu Lisboa, Setúbal, Évora, Faro, Viseu e Viana do Castelo.
A edição deste ano reuniu obras de Joana Ramalho, de Carla Cabanas, de Inês Botelho, de Félix Mula, de José Pedro Croft, de Martinha Maia e de Rodrigo Bettencourt. Integrado no quotidiano urbano e em exposição contínua, o projeto transformou suportes tradicionalmente associados à publicidade em espaços de fruição artística, promovendo o acesso alargado à arte contemporânea.
Criado em 2012, o “Outdoor” é um projeto de arte pública que visa democratizar o acesso à criação contemporânea através da ocupação de espaços publicitários. A Associação P28 é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura/Direção-Geral das Artes, no âmbito do Programa de Apoio Sustentado às Artes. Trata-se de uma associação cultural sem fins lucrativos dedicada à difusão de práticas artísticas contemporâneas e à promoção da arte na experiência de doença mental.
Mais informação: https://p28.pt/