As obras de desassoreamento e estabilização da margem direita do rio Mondego em Coimbra disporão de uma comparticipação comunitária de 85% do valor do empreendimento, superior a 14 milhões de euros.
A candidatura da intervenção a fundos europeus, através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (POSEUR), no âmbito do quadro comunitário de apoio ‘Portugal 2020’ foi hoje aprovada, disse o presidente da Câmara, Manuel Machado.
O autarca falava na sessão do executivo municipal, que hoje se reuniu extraordinariamente para apreciar o orçamento da Câmara para 2017, no valor global de 94,6 milhões (cerca de 4% mais que o deste ano), que foi aprovado pela maioria socialista, com a abstenção da CDU e os votos contrários do PSD e do movimento Cidadãos por Coimbra (CpC).
O desassoreamento do Mondego em Coimbra, a montante do Açude/Ponte e até às imediações da Ponte da Portela, numa extensão de mais de três quilómetros, implica um investimento superior a cinco milhões de euros, de acordo com as estimativas do projeto submetido à comparticipação comunitária.
A extração de areias e sedimentos naquele troço do Mondego visa repor o leito do rio para níveis idênticos aos registados em 1985, ano da construção do Açude/Ponte e desde o qual nunca foi feita qualquer operação de desassoreamento.
O assoreamento do rio é apontado como um dos fatores que mais contribui para as cheias registadas em Coimbra, designadamente em janeiro e fevereiro deste ano, que provocaram “elevados prejuízos”, designadamente no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.
Os especialistas apontam para a necessidade de dragar um volume de mais de 700 mil metros cúbicos de areia, parte dos quais serão reaproveitados na reconstrução das margens e em zonas do rio com défice sedimentar.
A estabilização da margem direita do rio entre a Ponte/Açude, na zona da Mata Nacional do Choupal, e a Ponte de Santa Clara, no centro cidade de Coimbra, cujos muros ameacem ruir, terá um custo da ordem dos nove milhões de euros.
As paredes da margem esquerda, no mesmo lanço do rio, também serão objeto de intervenção, mas de dimensão muito inferior, sendo esta operação suportada pelo município.
Estão ainda previstas três outras obras no Mondego, com vista à regularização do leito periférico esquerdo, a reabilitação e desassoreamento do leito periférico direito e a requalificação do leito e dos diques do leito central, a jusante da Ponte/Açude, cujos cálculos provisórios apontam para custos da ordem dos dois milhões de euros, mas que não integraram esta candidatura a fundos europeus.
Lusa