O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, vincou hoje que os investimentos estratégicos, em Coimbra e na região, não podem ser esquecidos. Segundo o autarca, o município não desistirá enquanto o projeto do Sistema de Mobilidade do Mondego não avançar, relembrando os investimentos estratégicos já efetuados nos respetivos municípios de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã.
As declarações do presidente da CMC foram proferidas durante a sessão “Cinco Regiões, Mais investimento”, dedicada aos autarcas e empresários da Região Centro, que decorreu hoje, no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), em Coimbra. Nela participaram o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, o Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Sousa, e a presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa.
“Começamos a precisar aqui de um acelerador para o Sistema de Mobilidade do Mondego. Não podemos deixar esquecer, pois foram feitos investimentos estratégicos, nos municípios de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, que estão pendentes da decisão do senhor ministro”, apelou o autarca.
Numa plateia com muitos autarcas, Manuel Machado alertou depois para o mau estado do IP3, principal itinerário da Beira Litoral. “Entre Coimbra e Viseu a ligação rodoviária é extremamente frágil, para não dizer desgraçada. Era importante intervir de modo sério”, afirmou o edil, acrescentando a necessidade de resolução de um problema “que afeta toda a região, numa zona de circulação intensiva, com uma insegurança absolutíssima.”
O presidente da CMC desaprovou ainda o aviso do concurso para apresentação de candidaturas ao Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR), que consiste na renovação da frota de transportes públicos, sobretudo naqueles que recorram à eficiência energética. Para Manuel Machado, “feitas as contas, a diferença de preço entre um veículo usual, movido a diesel, e um veículo movido a hidrogénio é colossal. Ora, a margem que se tem para financiamento comunitário não compensa, não motiva e não estimula a renovação”, salientou o autarca, referindo que “não é justo continuarmos a ter de recorrer de forma sistemática à compra de autocarros de transportes coletivos urbanos em segunda mão ou mais.”
Durante o encontro, o ministro Pedro Marques abordou matérias relacionadas com investimentos, compactados e disponíveis na ação territorial. O governante referiu ainda que o Sistema de Mobilidade do Mondego e a questão do IP3 são matérias em curso. “Não abandonámos nenhum desses dois projetos (…), finalmente está-se a fazer o estudo prévio para definir os traçados da Via dos Duques [entre Coimbra e Viseu] e, depois, o tal impacto ambiental que nos virá ao colocar-se a via no terreno”.
Segundo Pedro Marques, o Governo sabe que o IP3 é uma via “com problemas e perigosa”, onde este ano já ocorreram “umas intervenções de regularização de pontos mais complicados e vamos continuar a fazê-lo”. Para o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, enquanto não se resolver o problema, “temos de continuar a intervir para resolver pontos negros”.
Por seu turno, Ana Abrunhosa referiu a necessidade, a partir do próximo ano, de acompanhar e monitorizar e execução dos projetos que serão aprovados.
O Programa Operacional Regional 2020 já aprovou 3717 projetos de investimento que representam cerca de 2700 milhões de euros e um Fundo Comunitário de cerca de 1600 milhões de euros.
O encontro que decorreu no âmbito da iniciativa “Cinco Regiões, Mais Investimento”, promoveu o diálogo e ainda permitiu auscultar autarcas e empresários em relação aos aspetos positivos, constrangimentos e propostas de melhoria do Portugal 2020.
Já no final da sessão, Manuel Machado comentou, em declarações à agência Lusa, a garantia do Governo de que o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) será concretizado. “Fiquei mais otimista”, disse, acrescentando que as declarações do ministro Pedro Marques constituem “um aditamento clarificador”.