João Botelho volta a adaptar uma obra da literatura portuguesa e ao mesmo tempo regressa ao universo de Fernando Pessoa, dois campos que têm feito parte da cinematografia do realizador.
Publicado em 1984 – há 35 anos, portanto -, “O ano da morte de Ricardo Reis” passa-se em Lisboa em 1935, quando o médico Ricardo Reis regressa a Portugal depois de mais de uma década exilado no Brasil.
“Para estar à altura deste notável romance de realismo fantástico, decidi filmar a preto e branco, para a verosimilhança e a clareza das luzes, das sombras, dos vários cinzentos onde os personagens se vão mover, aflitos ou entusiasmados. (…) Nos planos finais uma explosão de cores deve permitir transportar o espectador para os tempos contemporâneos”, sublinha João Botelho, citado pela agência Lusa.
Antes de entrar na obra de Saramago, João Botelho já adaptou, inspirou-se ou fez versões cinematográficas de obras literárias de autores como Agustina Bessa-Luís (“A corte do norte”), de Fernando Pessoa (“Filme do desassossego”), Fernão Mendes Pinto (“Peregrinação”) e Eça de Queirós (“Os Maias”).
A obra literária de José Saramago também já teve anteriores adaptações para cinema, como “A jangada de pedra”, de George Sluizer, “O homem duplicado”, de Denis Villneuve, e “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles.
CM Coimbra / LUSA