O Anozero’19 terminou ontem com a leitura do conto do brasileiro João Guimarães Rosa, “A Terceira Margem do Rio”, que serviu de inspiração a esta edição do evento. Com a curadoria geral de Agnaldo Farias, a terceira edição da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra abriu as suas portas ao público no dia 2 de novembro, para mostrar a obra de 39 artistas, de 21 países, em vários espaços emblemáticos da cidade, como o Colégio das Artes, o Museu da Ciência, a Sala da Cidade de Coimbra ou as Galerias Avenida, além, claro, do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, um dos espaços expositivos centrais. A iniciativa contou com exposições temporárias, oficinas, debates, visitas guiadas e outros eventos paralelos.
“Ter um evento destes numa cidade que, além de ser Património Mundial da Humanidade, se está a candidatar a Capital Europeia da Cultural em 2027, é das coisas mais importantes que temos e queremos continuar a ter, porque consideramos que este evento fez com que Coimbra se transformasse numa cidade melhor, mais rica cultural e patrimonialmente, porque nos permitiu refletir sobre o nosso passado, o nosso presente e sobre o que é que queremos, do ponto de vista cultural, para a nossa cidade”, referiu Carina Gomes, no discurso que proferiu no encerramento da Anozero’19. “Já estamos no ponto de ‘não-retorno’. A partir de hoje, de dois em dois anos, Coimbra tem de ter uma Bienal de Arte Contemporânea”, destacou a autarca.
Foram 56 dias dedicados à arte contemporânea e ao património – não faltaram elogios ao espaço do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova ou à recuperação dos claustros do Jardim da Manga – e 40 mil visitantes, naquela que foi a edição mais internacional de sempre. “Não poderia terminar sem um agradecimento muito sincero a todos aqueles que contribuíram para mais este sucesso, da cidade de Coimbra para o Mundo – porque esta foi a mais internacional de todas a Bienais que realizámos até agora”, disse ainda a vereadora da Cultura da CM Coimbra, agradecendo às equipas do CAPC, Universidade de Coimbra (UC) e CM Coimbra, bem como a todos os voluntários, colaboradores, artistas e, claro, visitantes. “Deixo uma palavra muito especial ao curador Agnaldo, que com a ‘Terceira Margem do Rio’ nos ajudou a ver mais e melhor a nossa direção e a espiritualidade de Coimbra”, concluiu.
A Anozero é uma iniciativa organizada pelo CAPC, organizada em conjunto com a CM Coimbra e a UC, que assume como objetivo primordial promover uma reflexão quanto à circunstância da classificação da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. A Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra vai regressar em novembro de 2021 e já estão a decorrer os preparativos para essa quarta edição, sendo um dos objetivos dos organizadores a escolha de uma mulher para a curadoria-geral.
Mais informações sobre a Anozero’19 podem ser consultadas em https://anozero-bienaldecoimbra.pt/.