O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, criticou ontem o tratamento desigual entre os transportes públicos urbanos de Lisboa e do Porto, que são subsidiados pelo Estado, e os municipalizados, existentes em cidades como Coimbra e outras, que “não têm um cêntimo do Estado e pagam impostos como as empresas privadas”. Manuel Machado salientou que a CMC transfere 9 milhões de euros por ano para os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), enquanto no caso do Metro de Lisboa e do Porto, da Carris ou da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto, “é o que se sabe”, dispõem de subsídios do Estado.
Manuel Machado participou, no Porto, no debate “Descentralização – Pedra Angular da Reforma do Estado”, promovido pelo Jornal de Notícias (JN), matutino que hoje comemorou o seu 128.º aniversário. No debate participaram ainda os presidentes das câmaras de Viseu e Aveiro, respetivamente, Almeida Henriques e Ribau Esteves, e o geógrafo João Ferrão. O diálogo foi moderado pelo diretor executivo do JN, Domingos de Andrade. Antes do debate, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, abriu a sessão, com um discurso de elogio ao poder local.
Falando também na qualidade de presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Manuel Machado defendeu a descentralização e a regionalização, mas desde que estas sejam acompanhadas de um quadro que estabeleça meios, atribuições e responsabilidades.