A Canção de Coimbra foi novamente debatida, no dia 17 de setembro, durante a tarde, no Núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra, que funciona na Torre de Anto. “ O perfeccionismo e a técnica num disco de confirmação das qualidades de Carlos Paredes” foi o tema apresentado por Henrique Fraga, grande conhecedor da música e da guitarra de Coimbra, no âmbito do ciclo de palestras “Canção de Coimbra: Cultores e Repertórios”, que a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) se encontra a promover e que vai decorrer até ao final do ano.
A sessão foi centrada em Carlos Paredes (n. 1925 – m. 2004), por ocasião dos 45 anos sobre a gravação do seu segundo LP, “Movimento Perpétuo”, editado em 1971.
Numa sessão que foi aberta pela vereadora da cultura da CMC, Carina Gomes, o orador começou por salientar que Carlos Paredes era um homem modesto e humilde.
Antes de falar da obra “Movimento Perpétuo” e do seu autor Carlos Paredes, Henrique Fraga explicou que movimento perpétuo “é uma peça musical ou parte de uma peça, caracterizada por uma corrente contínua e fixa de notas de pequena duração e usualmente executada em tempo rápido”.
Para se perceber a grandeza de um disco como “Movimento Perpétuo”, gravado em 1971 por Carlos Paredes, quando este tinha 46 anos, o orador foi traçando o percurso de vida e artístico do guitarrista, até à consumação desta obra.
Henrique Fraga realçou a importância que teve toda a família Paredes na construção da genialidade de Carlos Paredes, nomeadamente o seu pai, e também guitarrista, Artur Paredes. Sobre o pai de Carlos Paredes, diria Henrique Fraga, “que com ele a guitarra de Coimbra viria a ganhar novas dimensões, visto ele ser uma pessoa muito preocupada com o instrumento”. “Com Artur Paredes, a guitarra ganhou maior volume e melhor afinação, o que permitiu novas formas de a tocar”, disse.
Tudo isto foram influências obvias para Carlos Paredes, para quem o pai era um inovador, que sentia a guitarra por dentro.
Igualmente importante no crescimento musical de Carlos Paredes como guitarrista foram todos os artistas eruditos, que o seu pai lhe deu a ouvir, e o facto de sua mãe o ter colocado em aulas de violino e piano.
Carlos Paredes aprendeu a tocar guitarra com seu pai e aos 14 anos já o acompanhava. Apesar desta grande influência, Carlos Paredes sempre teve a consciência de que era preciso ter um estilo próprio.
Ainda antes de gravar “Movimento Perpétuo” Paredes deixou registados alguns EPs e um álbum. Uma das suas primeiras aparições foi ao lado do cantor Camacho Vieira, onde brilha de forma genial, começando desde logo a afirmar-se como grande guitarrista, tinha ele 33 anos. Disco igualmente destacado, foi a obra “Guitarra Portuguesa”.
Todo este percurso levado por Carlos Paredes, faz Henrique Fraga chegar à conclusão de que “Movimento Perpétuo”, ”é um álbum da confirmação das qualidades de Carlos Paredes adquiridas durante toda a sua história”. Para o orador “este é o álbum mais importante da música e da guitarra de Coimbra que eleva o nível de execução da guitarra e influencia muita gente”.
Para finalizar Henrique Fraga deixou-nos uma frase de Carlos Paredes em que este dizia, mostrando toda a sua simplicidade, que “geniais são as pessoas que respeitamos profundamente”.
Esta foi a sétima sessão do ciclo “Canção de Coimbra: Cultores e Repertórios”. Um total de nove palestras, organizadas pela CMC, com o objetivo de promover este género musical enraizado na cultura urbana da cidade e que projetou o nome de Coimbra para o mundo. A próxima palestra tem como tema “O papel de António Portugal na dinâmica da Canção de Coimbra dos Anos 50 aos Anos 90” e terá Manuel Portugal (filho) como orador. Uma iniciativa de entrada livre, que está marcada para domingo, dia 23 de outubro, pelas 15h30, na Torre de Anto.