O executivo da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) aprovou, por unanimidade, na sua reunião de segunda-feira, uma proposta de apoio pontual ao Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), no valor de 10 mil euros, para a pré-produção da segunda edição do Anozero – bienal de arte contemporânea de Coimbra. Um evento organizado pela CMC, CAPC e Universidade de Coimbra, que teve a sua estreia em outubro de 2015, tendo alcançado grande sucesso e visibilidade. Este apoio servirá para o CAPC, que tem a seu cargo a produção executiva e financeira do evento, fazer face às despesas necessárias para a preparação do Anozero’17, um evento de grande dimensão que exige uma planificação atempada.
O CAPC encontra-se a preparar o Anozero’17, que já tem data de inauguração, 11 de novembro do próximo ano (e prolongar-se-á por sete semanas), e orçamento global de 301.450 euros. O programa definitivo ainda está em construção, mas sabe-se já que a bienal apresentará obras de, no máximo, 20 artistas, em todas as tipologias: filme, vídeo, fotografia, pintura, escultura, instalação e performance, entre outras. Está ainda previsto um programa paralelo de conferências, espetáculos de música, de dança contemporânea e performance, bem como um programa educativo para públicos específicos que procurará envolver a comunidade nesta iniciativa.
A bienal Anozero’17 terá como tema Curar e Reparar e consistirá num única exposição repartida por vários lugares da cidade: Aqueduto de São Sebastião, Biblioteca Geral, Biblioteca Joanina, Café Santa Cruz, Casa da Escrita, Convento São Francisco, sede do CAPC, CAPC – Sereia, Colégio das Artes, Colégio do Carmo, Colégio São Bento, Colégio São Tomás, Colégios Universitários da Rua da Sofia, Criptopórtico Romano de Aeminium (do Museu Nacional Machado de Castro), Laboratório Chímico, Mosteiro de Santa Cruz, Sala da Cidade, Jardim Botânico, Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Museu Zoológico, Colégio de Jesus, Prisão académica, Sala do Exame Privado e Pátio das Escolas.
Quanto aos artistas, já estão confirmados Alexandre Estrela, Ângela Ferreira, Anna Bougughian, Ernesto Neto, Fernanda Fragateiro, Henrique Pavão, Jill Madgid, João Fiadeiro, João Onofre, Joseph Beuys, Juan Araújo, Kader Attia, Pedro Barateiro, Prinz Gholam, mas estão previstos outros, cujo contacto ainda está em curso. O ciclo de conferências tem como tema “O Cuidado como Categoria Est-ética” e divide-se em 12 sessões, todas elas com nomes sonantes do mundo das artes. Uma edição que tem Delfim Sardo como curador geral, contando com a colaboração de Ana Luísa Teixeira de Freitas.
A preparação do Anozero’17 está, pois, em curso, mas ainda há muito para fazer, tendo em conta a dimensão do evento. Recorde-se que a primeira edição, que teve como objetivo primordial promover uma reflexão sobre a classificação da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia a Património Mundial da Unesco, teve grande sucesso e uma enorme projeção, que se traduziu na grande afluência de público (cerca de 163 mil participantes), nas 170 ocorrências na comunicação social, no facto de dois dos artistas participantes terem obtido prémios nacionais relevantes, na obtenção de uma nomeação internacional de um dos curadores principais e no facto de várias das exposições realizadas terem sido consideradas, pela crítica da especialidade, como das mais relevantes do ano 2015.
Um evento que envolveu mais de 40 artistas de reconhecido mérito nacional e internacional, num conjunto de 22 exposições, patenteadas em vários espaços históricos da cidade, e que contou ainda com ações de mediação, sensibilização e formação de públicos para a cultura e para as artes, através do serviço educativo, e atividades paralelas multidisciplinares, como dois ciclos de cinema, 12 concertos, 11 performances e nove conversas.