O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, lembrou hoje que tem havido algumas conquistas na luta pela autonomia do poder local, mas que esta é uma tarefa inacabada e é preciso lutar por ela quotidianamente. O também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) falava na cerimónia de abertura da reunião do Conselho Diretivo da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), que se realizou na sede da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades.
“O vírus do centralismo não há meio de ser debelado”, comentou Manuel Machado, que, ainda assim, reconhece que “se tem conseguido coisas na autonomia do poder local”. Recordando processos que têm as devidas autorizações das mais altas instâncias do Estado, mas depois enfrentam dificuldades e impedimentos até serem concretizados, o presidente da CMC identificou os culpados. “É sobretudo ao nível dos ‘sargentos’ que aparece sempre um alçapão.”
Na opinião de Manuel Machado, “a autonomia do poder local é permanentemente capturada (…) porque a iniciativa, porque a dinâmica, é permanentemente desencadeada por autarquias e então eles ficam ciumentos. Deve ser uma questão de ciúmes: metem o pau na roda e fazem-nos perder tempo e dinheiro”. Por isso deixou uma sugestão aos membros do Conselho Diretivo da ANAFRE: “Acho que devemos encará-los com capacidade de resistência – agora diz-se resiliência, mas eu acho que é paciência – com força e determinação.”
Manuel Machado salientou ainda que, amanhã, a ANMP celebra 40 anos do Poder Local Democrático através da realização de uma convenção, no Convento São Francisco, em Coimbra, cerimónia que contará com a presença do primeiro-ministro e do Presidente da República. “Amanhã é um bom dia para mostrarmos orgulho em sermos autarcas, cada um com o seu modo de ser, cada qual com as suas caraterísticas. Há um denominador comum: o músculo, a força que nos leva a trabalhar para que as nossas comunidades sejam melhores.”
“Durante estes 40 anos, os autarcas portugueses trabalharam de forma abnegada para um objetivo único: que cada comunidade seja melhor e que cada vizinho se sinta melhor. Naturalmente houve erros, mas os riscos assumidos foram sempre bem maiores do que os erros”, enalteceu Manuel Machado.