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12 Janeiro 2020

“Conto com aqueles que têm estado do lado da solução” – Manuel Machado

“Conto com aqueles que têm estado do lado da solução” – Manuel Machado

O presidente da Câmara Municipal (CM) de Coimbra, Manuel Machado, agendou para a próxima reunião do executivo municipal, marcada para amanhã, novo debate e votação sobre o orçamento e as Grandes Opções do Plano (GOP) para este ano. “Conto com aqueles [autarcas] que de forma séria têm estado do lado da solução”, sublinha.

Os documentos, que tinham sido aprovados em outubro de 2019, pelo executivo camarário, foram, no entanto, rejeitados em dezembro pela Assembleia Municipal, criando uma situação que “penaliza os serviços municipais”, compromete o lançamento de projetos e obras e põe em risco fundos europeus (incluindo verbas já atribuídas, mas que podem ter de ser devolvidas por incumprimento de prazos), exemplifica Manuel Machado.

 

“Espero que o sentido de responsabilidade autárquica impere” e que “as pessoas entendam quão prejudicial é esta situação [de inexistência de orçamento e GOP aprovados] não ser resolvida”, afirma o presidente da Câmara de Coimbra. “Conto com aqueles [autarcas] que de forma séria têm estado do lado da solução”, sublinha.

 

O orçamento que vai ser apresentado na segunda-feira ao executivo é o mesmo que este órgão já apreciou e votou, tal como as GOP, embora estas possam vir a “sofrer alguns ajustamentos”, admite o autarca.

 

Entre as obras e projetos suspensos ou adiados em resultado da reprovação daqueles documentos, Manuel Machado refere as obras de consolidação da margem direita do Mondego, para as quais é necessária lançar novo concurso por falência da empresa à qual tinha sido entregue o empreendimento.

 

Mas a margem esquerda do rio também precisa de ser intervencionada por causa do mau tempo de dezembro passado, mas o respetivo concurso também não pode ser aberto, lamenta o autarca, referindo que, pelos mesmos motivos, a reabilitação de bairros sociais, por exemplo, tem de ser igualmente adiada.

 

A Assembleia Municipal aprovou o orçamento dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) para 2020, mas chumbou o orçamento da Câmara, que é a entidade que os financia, nota ainda o autarca, salientando que, por outro lado, a transferência de verbas para as freguesias (mais cerca de 3,2 milhões de euros do que em 2019) também não pode ser feita.

 

O orçamento da Câmara para 2020, que vai voltar a ser apreciado pelo executivo municipal, ascende a cerca de 150,8 milhões de euros, para além dos orçamentos dos SMTUC (que ronda 27,5 milhões de euros) e da empresa Águas de Coimbra.

 

Os dois documentos foram aprovados, em outubro, pela Câmara, com o “voto de qualidade” do presidente, já que votaram a favor os cinco eleitos do PS e contra dois dos três vereadores social-democratas (eleitos no âmbito da coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT), os dois representantes do movimento Somos Coimbra (SC) e o vereador da CDU, enquanto a vereadora da bancada do PSD Paula Pêgo se absteve (situação que levou o partido a retirar-lhe a confiança política).

 

Em 27 de dezembro, as GOP e o orçamento foram rejeitados com 26 votos contra – do PSD, SC, CDS-PP, CDU, PPM, MPT e movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) – e 24 a favor, 23 da bancada socialista e de um autarca da CDU, registando-se uma abstenção de um elemento do PSD.

 

LUSA / CM Coimbra

 

 

Sobre as GOP e Orçamento para 2020:

 

A maior dotação destas GOP 2020 vai para a função social do Transporte Público, com mais de 12M€, seguindo-se os programas de igualdade de oportunidades para a Educação e o programa de promoção da Habitação, reconstrução e renovação urbana, cada uma com dotação superior a 11,5M€ e a reabilitação urbana que tem uma dotação prevista superior a 10M€.

 

Outro dos pontos de destaque deste orçamento vai para o facto de apresentar o maior pacote de investimento desde 2005, ascendendo a cerca de 47M€, para além de prever um elevado acréscimo orçamental, essencialmente porque inclui as dotações previstas no processo de descentralização de competências nos domínios da Educação e da Saúde, considerando que estas foram aceites pelos órgãos autárquicos para exercer em 2020, estando ainda prevista a arrecadação com os Fundos Europeus e da Cooperação Técnica e Financeira de cerca de 24M€.

 

O documento prevê, assim, cerca de 118M€ de receitas correntes, e cerca de 90M€ de despesas correntes, estimando uma receita de capital de cerca de 33M€, contra uma despesa de capital da ordem dos 60M€.

 

Da receita, cerca de 54% seria aplicada em funções sociais, que engloba o investimento em ensino, saúde, ação e habitação social, cultura, desporto, entre outros, a que acresce ainda o custo social dos transportes. Aliás, o programa com maior dotação nas GOP para 2020 é precisamente o da função social do Transporte Público, com mais de 12M€ previstos, que inclui a renovação da frota dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra através da aquisição, cofinanciada pelo POSEUR, de mais 14 novos autocarros 100% elétricos.

 

Relativamente aos objetivos por área, o planeamento, reabilitação e qualificação urbana continuam a ser as áreas que maior investimento municipal terá no próximo ano, dispondo de uma dotação superior a 40M€, englobando a reabilitação urbana, a continuidade das requalificações previstas no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), a promoção da habitação, ambiente, espaços verdes e jardins e proteção civil, como o apoio aos bombeiros, entre outros.

 

O investimento em educação, desporto e juventude é reforçado em 25%, e terá em 2020 uma dotação de 17M€. Já a valorização, promoção cultural e apoio às artes irá dispor de um valor superior a 5M€, representando cerca de 5% do valor total do orçamento municipal.

 

O objetivo da coesão territorial e desenvolvimento socioeconómico apresenta uma dotação superior a 15M€, crescendo 17% a 2019. Neste objetivo estão integrados diversos programas para o apoio ao desenvolvimento económico e à atividade empresarial, para a dinamização e promoção turística, mas também para acessibilidades, conservação e manutenção de vias. Estão neste pacote, por exemplo, o projeto de refuncionalização e requalificação do Mercado Municipal D. Pedro V; a ciclovia de Coimbra; a obra de estabilização da margem direita do Rio Mondego, entre a Ponte de Santa Clara e o Açude-Ponte de Coimbra; e a ligação da Circular Externa ao Hospital Pediátrico, entre muitas outras.

 

O apoio às Uniões e Juntas de Freguesias totaliza um valor superior a 7M€, ao qual acresce inúmeras dotações dispersas pelas GOP relativas a obras nas freguesias que serão assumidas diretamente pela CM Coimbra, nomeadamente algumas intervenções nos cemitérios e a requalificação da Feira dos 7 e dos 23.

 

A manutenção da política fiscal é outro dos destaques desta previsão orçamental. Recorde-se que, no passado dia 23 de setembro, o executivo municipal aprovou a proposta de manter a taxa base do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) dos prédios urbanos em 0,30%, o mínimo legal possível. Desde 2013, que a autarquia liderada pelo socialista Manuel Machado veio a reduzir progressivamente a taxa de IMI. Tendo em conta o ano das deliberações (a cobrança de IMI acontece no ano seguinte), em 2013 foi aprovada uma descida de 0,39% para 0,38%; em 2014, de 0,38% para 0,35%; em 2016, de 0,35% para 0,34%; em 2017, para 0,33%; e em 2018, para 0,30%, valor que este ano foi aprovado manter, abdicando assim de cerca de 14M€ de receita a favor dos conimbricenses.

 

No mesmo sentido, estando assegurado o equilíbrio financeiro da autarquia, e mantendo a trajetória de redução do endividamento (que desde 2013 já reduziu 22M€), o presidente Manuel Machado assumiu que não irão ser aumentadas as tarifas da água e do saneamento para as pessoas, assim como o tarifário dos transportes, mantendo todos os títulos de transporte bonificados.

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