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12 Fevereiro 2026

Coimbra em alerta máximo: risco de cheia centenária encerra escolas e pode obrigar à evacuação da Baixa

Coimbra em alerta máximo: risco de cheia centenária encerra escolas e pode obrigar à evacuação da Baixa

A Câmara Municipal de Coimbra e a Proteção Civil colocaram o concelho em alerta máximo perante a possibilidade de ocorrência de uma cheia centenária ao início da tarde de sexta-feira, 13 de fevereiro, na bacia do Mondego, com potencial impacto direto na Baixa da cidade, nas duas margens do rio e nas restantes zonas ribeirinhas. O cenário é agora considerado mais grave do que nos dias anteriores, o que levou ao encerramento de todas as escolas do concelho e a um apelo à população para que evite deslocações desnecessárias. Não está descartada a eventual evacuação da Baixa. Ana Abrunhosa apelou à serenidade, pedindo que os cidadãos se mantenham seguros, informados e cooperantes com as autoridades.

A decisão foi anunciada na noite de 12 de fevereiro pela presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, após reunião com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. De acordo com os dados técnicos mais recentes, prevê-se um pico de cheia ao início da tarde.

 

Cenário de risco agravado

Segundo a autarca, a situação atual é substancialmente mais grave do que a registada nos dias anteriores. “Estamos perante a probabilidade de uma cheia centenária. Este é um momento completamente diferente”, afirmou.

 

A Barragem da Aguieira aproxima-se do limite de capacidade e, caso os caudais na Ponte Açude ultrapassem os 2.000 m3/s, poderá verificar-se galgamento da estrutura e inundação da zona urbana baixa da cidade.

 

As projeções apontam para valores entre 2.500 e 3.000 m3/s. Nesse cenário, a água poderá espraiar-se e atingir a Baixa de Coimbra, Santa Clara e outras áreas adjacentes, para além das zonas já inundadas.

 

Zonas mais vulneráveis: Baixa, Santa Clara e frentes ribeirinhas

Entre os locais identificados como mais vulneráveis estão a Baixa, nas margens direita e esquerda, o rossio de Santa Clara, o Parque Verde e a Praia do Rebolim, bem como a zona ribeirinha de Torres do Mondego, Ceira, Conraria e Vendas de Ceira.

 

A autarquia alerta ainda para a Quinta da Portela e a Portela do Mondego, onde o aumento do nível freático pode provocar problemas em caves, parques de estacionamento subterrâneos, redes de saneamento e infraestruturas técnicas.

 

As ribeiras urbanas de Coselhas, Eiras, Fornos, Covões e Casais poderão igualmente registar ocorrências.

 

Estradas como a EN111 e EN111-1 podem ser afetadas, assim como a zona da Estação ferroviária e da Casa do Sal.

 

A presidente deixou um aviso específico para os parques de estacionamento subterrâneos, designadamente na Baixa, apelando a comerciantes e moradores para que protejam bens e animais e se preparem para uma eventual ausência de casa durante alguns dias. “Devem ter preparada uma mala com o essencial para três dias”, recomendou.

 

Escolas encerradas, apelo ao teletrabalho e possíveis restrições

Todas as escolas do concelho estarão encerradas na sexta-feira. “Ninguém entenderia que, perante a possibilidade de cheia centenária, corrêssemos o risco de trazer os filhos à escola”, afirmou Ana Abrunhosa, apelando também às empresas para que ponderem o recurso ao teletrabalho, sempre que possível.

 

Caso a situação se agrave, poderão ser impostas novas restrições à circulação e ao funcionamento de serviços, incluindo transportes públicos.

 

A Ponte-Açude já se encontra encerrada ao trânsito e a situação das restantes travessias será avaliada em articulação com a Infraestruturas de Portugal.

 

Plano de contingência preparado para evacuações

As autoridades não excluem a necessidade de novas evacuações na Baixa e na Rua da Sofia. O plano de contingência está preparado para atuar de imediato, desde o dia 1 de fevereiro, caso os níveis de água o justifiquem.

 

Se as previsões se confirmarem, poderá ser necessário retirar cerca de 9.000 pessoas da malha urbana potencialmente afetada. Já durante a madrugada, a prioridade será a retirada preventiva de pessoas acamadas e de pessoas em situação de sem-abrigo nas zonas de maior risco.

 

Meios reforçados no terreno para salvar vidas

Ana Abrunhosa garantiu que não há falta de meios no terreno. Equipas de proteção civil, bombeiros, forças de segurança, Exército, INEM, Cruz Vermelha e técnicos municipais mantêm-se mobilizados, com apoio de drones para monitorização permanente das zonas críticas. A prioridade, sublinhou, é “salvar vidas”.

 

Apelo à população

A população é instada a seguir rigorosamente as indicações da Proteção Civil, das forças de segurança e dos presidentes de junta, a manter-se informada através dos canais oficiais e a evitar comportamentos de risco, nomeadamente a circulação junto ao rio ou em zonas potencialmente inundáveis.

 

“A única coisa que não controlamos é a chuva. Mas controlamos o nosso comportamento”, concluiu a presidente, apelando à serenidade, responsabilidade e espírito de entreajuda num momento de risco excecional para a cidade.

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