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24 Agosto 2026

Entrada do Metrobus no centro de Coimbra traz nova organização do trânsito e dos SMTUC

Entrada do Metrobus no centro de Coimbra traz nova organização do trânsito e dos SMTUC

A Câmara Municipal (CM) de Coimbra aprovou, na reunião do Executivo desta segunda-feira, 24 de agosto, um conjunto de alterações à rede dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), enquadradas na entrada em funcionamento do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) no troço central da cidade e na consequente reorganização da circulação na Baixa. As mudanças abrangem dezenas de percursos dos transportes urbanos e uma nova organização do trânsito em eixos como a Rua da Sofia, Avenida D. Sesnando Davides, Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes e Rua de Saragoça.

A expansão do Metrobus ao centro da cidade representa uma alteração estrutural no sistema de mobilidade de Coimbra e implica uma nova articulação entre o SMM, a rede dos SMTUC, o trânsito automóvel e a mobilidade pedonal.

 

A nova fase de operação permitirá ao Metrobus chegar à Praça da República, através da Via Central (Avenida D. Sesnando Davides), e à estação ferroviária de Coimbra-B, reforçando a sua integração na rede de transportes públicos da cidade.

 

Estima-se que a nova organização da circulação e da rede dos SMTUC entre em funcionamento a partir de 10 de setembro, em articulação com esta nova fase de operação do SMM. A concretização desta data dependerá, contudo, do calendário operacional e dos testes necessários à entrada em funcionamento do Metrobus.

 

As alterações enquadram-se numa estratégia global de reorganização da circulação na Baixa de Coimbra, orientada para a redução do tráfego de atravessamento, a valorização do transporte público, a promoção da mobilidade ativa e a qualificação do espaço público. Pretende-se criar melhores condições para que o centro da cidade deixe de funcionar apenas como local de passagem e ganhe mais espaço para permanência e fruição, salvaguardando simultaneamente os acessos indispensáveis a residentes, atividades económicas, equipamentos públicos e serviços essenciais.

 

É neste contexto que a Rua da Sofia deixará de permitir a circulação automóvel geral e passará a assumir uma função prioritariamente dedicada ao transporte público, mantendo-se os acessos locais necessários a residentes, cargas e descargas e outros veículos autorizados. Esta solução decorre da Declaração de Impacte Ambiental do projeto, aprovada em 2011, que estabelece para este eixo uma função rodoviária prioritariamente afeta aos transportes públicos.

 

Rua da Sofia passa a dar prioridade ao transporte público

Os estudos realizados identificam a Rua da Sofia como um importante eixo de atravessamento da Baixa, utilizado por tráfego automóvel que tem como destino outras zonas da cidade. A nova organização retira-lhe essa função para o trânsito automóvel geral, redistribuindo esses movimentos por percursos alternativos e reforçando o papel da rua enquanto corredor prioritário de transporte público.

 

A alteração permite reduzir a pressão automóvel neste eixo, melhorar as condições de circulação pedonal e criar mais espaço para uma utilização qualificada do espaço público. Mantém-se, contudo, a circulação dos transportes públicos e serão salvaguardados os acessos locais necessários, nomeadamente de residentes autorizados, cargas e descargas em horários definidos, serviços essenciais e outros veículos autorizados.

 

No sentido Praça da República–Avenida Fernão de Magalhães, os autocarros dos SMTUC continuarão a utilizar a Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes e a Rua da Sofia.

 

No sentido contrário, Avenida Fernão de Magalhães–Praça da República, os SMTUC passam a utilizar a Avenida D. Sesnando Davides e a Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, criando um novo corredor de acesso do transporte público à zona central da Baixa.

 

A Avenida D. Sesnando Davides ficará também reservada prioritariamente ao transporte público e aos acessos autorizados, evitando que a nova ligação se transforme num corredor alternativo de atravessamento automóvel.

 

Na Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, o sentido descendente será partilhado entre os SMTUC e o Metrobus, passando as atuais paragens de transporte público junto ao Jardim da Manga para o início da Rua da Sofia. No sentido ascendente, existirá circulação segregada dos transportes públicos e dos acessos autorizados.

 

Rua de Saragoça passa a sentido único num dos troços

A reorganização abrange também a Rua de Saragoça, que passará a ter sentido único descendente no troço entre a Rua de Montarroio e a Rua Guerra Junqueiro.

 

A alteração procura melhorar a segurança e as condições de circulação pedonal numa zona onde a reduzida largura da rua não permite atualmente garantir condições adequadas de acessibilidade. A redução do espaço destinado à circulação automóvel permitirá ainda criar condições para uma futura qualificação do espaço público.

 

O movimento ascendente será assegurado através da Avenida Sá da Bandeira, Praça da República, Rua Tenente Valadim e Rua Guerra Junqueiro.

 

A solução mantém, simultaneamente, os acessos ao Mercado Municipal e à restante zona envolvente.

 

Acessos locais serão salvaguardados

A restrição da circulação automóvel geral não significa o encerramento da zona a residentes, comércio e serviços.

 

A nova organização prevê um regime de acessos condicionados que permita compatibilizar a prioridade atribuída ao transporte público com as necessidades de quem vive, trabalha ou necessita de aceder àquela área da cidade.

 

A Rua Pedro Olaio deverá funcionar como principal entrada controlada para a zona condicionada. A partir daí será possível assegurar, em condições definidas, o acesso de residentes autorizados, cargas e descargas, serviços essenciais e outros veículos com autorização.

 

Estão igualmente previstos regimes específicos para o acesso ao Mercado Municipal, PSP, Escola Jaime Cortesão e outras instalações e serviços existentes na área.

 

Os horários e as condições das cargas e descargas serão definidos de forma a reduzir conflitos com os períodos de maior circulação dos transportes públicos.

 

A implementação da nova organização será acompanhada por sinalização própria e mecanismos de controlo e fiscalização dos acessos.

 

Alterações abrangem várias linhas dos SMTUC

A nova circulação na Baixa implica também a adaptação dos percursos dos SMTUC que atualmente utilizam a Rua da Sofia, Rua João de Ruão, Rua Simões de Castro e outros arruamentos da zona.

 

A proposta que será analisada pelo Executivo prevê alterações aos percursos das linhas 4, 5, 5T, 6, 6F, 11, 16G, 19, 19A, 19T, 19R, 24, 25, 25T, 27, 27F, 28, 28F, 29, 30, 30A, 30T, 30F, 36F, 42V e 103, diretamente relacionadas com os novos sentidos de circulação na Baixa.

 

Em muitas das linhas afetadas apenas pela nova organização da circulação, os novos percursos não implicam alterações significativas nos tempos globais programados, permitindo manter os horários atualmente praticados.

 

Está ainda prevista a criação de novas paragens na Avenida D. Sesnando Davides, junto à Loja do Cidadão, e nas ruas Antero de Quental e Guerra Junqueiro, assegurando a cobertura territorial ao longo dos novos percursos.

 

Linhas 4, 7, 10 e 103 adaptadas à expansão do Metrobus

Para além das alterações diretamente relacionadas com a circulação na Baixa, a entrada do Metrobus no troço central permite reorganizar algumas linhas dos SMTUC, simplificar percursos e reduzir a sobreposição de serviços nos mesmos corredores.

 

A Linha 4 passa a concentrar o seu percurso na ligação entre a Praça da República e Santo António dos Olivais. A partir da Praça da República, os passageiros poderão articular a viagem com o Metrobus para a Baixa e para os restantes destinos servidos pelo SMM. A nova organização reduz a exposição da linha aos constrangimentos de circulação na Baixa e procura reforçar a regularidade e a fiabilidade do serviço.

 

A Linha 103 passa a assegurar uma ligação mais direta entre a Universidade e Santo António dos Olivais. A articulação com o Metrobus permite assegurar as deslocações entre a Praça da República, a Baixa e os restantes pontos da rede do SMM, concentrando a Linha 103 numa ligação mais simples e previsível entre os dois extremos do percurso.

 

A Linha 7 passa a assegurar a ligação entre a Praça da República e o Estádio, via Tovim. Nestes dois pontos, os passageiros poderão articular a viagem com o Metrobus para a Baixa e outros destinos. A linha deixa de ter um percurso circular e passa a funcionar de forma linear nos dois sentidos, ficando a atual Linha 7T integrada na nova Linha 7.

 

Já a Linha 10 passa a assegurar a ligação entre a Praça da República e o Hospital Sobral Cid, através de um percurso mais linear e evitando zonas de maior congestionamento, como a Rua do Brasil. A articulação com o Metrobus assegura alternativas para as deslocações na zona central da cidade, permitindo concentrar a Linha 10 numa ligação mais direta e regular. A Linha 10A mantém-se sem alterações no período noturno.

 

As linhas 25, 25T, 30, 30A, 30F e 30T passam, por sua vez, a ter o seu término na Rua João de Ruão, mantendo uma ligação direta ao centro da cidade. A partir desta zona, os passageiros poderão prosseguir viagem através de outros serviços dos SMTUC ou da articulação com o Metrobus.

 

A reorganização procura, assim, criar percursos mais simples e lineares, melhorar a regularidade das frequências e reforçar a complementaridade entre os SMTUC e o Metrobus.

 

Transporte público passa a funcionar de forma mais integrada

A nova organização pressupõe uma maior articulação entre os diferentes modos de transporte e poderá implicar, em algumas deslocações, a realização de transbordos entre serviços.

 

Desde o início de 2026 está disponível o título intermodal MOVE-C, que permite utilizar os SMTUC e o Sistema de Mobilidade do Mondego com um único título de transporte.

 

O objetivo da reorganização é evitar a duplicação de oferta nos corredores onde passa a existir serviço do Metrobus e direcionar a rede dos SMTUC para outras ligações, criando um sistema de transporte público mais integrado e complementar.

 

As alterações agora propostas antecipam alguns dos princípios da futura reorganização global da rede municipal de transportes, que deverá ser implementada depois da entrada em funcionamento da totalidade das linhas do Sistema de Mobilidade do Mondego.

 

Informação será divulgada antes da entrada em funcionamento

Atendendo à dimensão das alterações, o Município de Coimbra, os SMTUC e a Metro Mondego estão a desenvolver uma ampla campanha de informação pública dedicada à nova organização da mobilidade.

 

A informação será disponibilizada progressivamente e permitirá conhecer os novos percursos dos SMTUC, paragens, alterações à circulação automóvel, condições de acesso à Baixa e articulação com o Metrobus. Será também disponibilizada informação gráfica e simplificada dirigida a quem circula em viatura própria, permitindo perceber os novos sentidos de trânsito, as zonas de circulação condicionada e os percursos alternativos.

 

A campanha terá também uma forte componente de informação direta. Está prevista a distribuição de materiais nas escolas e instituições de ensino superior, bem como junto de grandes empregadores e polos geradores de deslocações, nomeadamente a Unidade Local de Saúde de Coimbra e os centros comerciais, procurando fazer chegar antecipadamente a informação a quem diariamente se desloca para estes locais.

 

Os utilizadores dos SMTUC podem ainda recorrer ao Google Maps para conhecer todas as linhas, os respetivos percursos e horários, e  acompanhar em tempo real a circulação dos autocarros, consultar quanto tempo falta para o autocarro chegar à paragem e verificar eventuais atrasos ou antecipações face ao horário previsto.

 

Os utilizadores dos SMTUC podem ainda recorrer ao Google Maps para conhecer todas as linhas, planear percursos, acompanhar em tempo real a circulação dos autocarros e consultar quanto tempo falta para que ele chegue à paragem, verificando eventuais atrasos ou antecipações face ao horário previsto. Podem também utilizar a App SMTUC para, ademais de todas estas funcionalidades, consultar todos os horários para qualquer hora e qualquer dia.

 

As soluções serão ainda monitorizadas após a entrada em funcionamento, permitindo identificar eventuais constrangimentos e introduzir os ajustamentos que se revelem necessários.

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