Para compreender o sistema de recolha, é crucial distinguir duas frentes operacionais que partilham a gestão da nossa cidade. Por um lado, temos o serviço em baixa, que é da direta responsabilidade da Câmara Municipal (em articulação com as Freguesias e operadores privados no terreno) e abrange a recolha diária do lixo indiferenciado e de biorresíduos porta a porta ou nos contentores habituais, além da varredura e lavagem das ruas. Por outro lado, temos o serviço em alta, gerido intermunicipalmente pela ERSUC, a quem cabe a recolha seletiva nos ecopontos (vidro, papel e plástico), a triagem e o encaminhamento final dos resíduos.
Como executivo municipal, assumimos com total transparência as nossas limitações e responsabilidades no serviço em baixa. Não nos remetemos à inação: reforçamos o quadro de pessoal com novos cantoneiros de higiene urbana e motoristas, e temos em marcha novos procedimentos de recrutamento.
No plano dos meios materiais, estamos a renovar a frota técnica, colmatando a falta histórica de equipamentos através da aquisição de novas viaturas e de varredoras mecânicas.
Adicionalmente, estamos a otimizar as rotas de recolha, a expandir a rede de biorresíduos e compostagem comunitária – com um impacto positivo que já ultrapassa um milhão de euros em poupanças e valorização – e a acelerar a criação do futuro Ecocentro Municipal.
Sabemos, contudo, que grande parte da frustração sentida nas nossas ruas decorre do serviço em alta. As falhas recorrentes na recolha seletiva e a lentidão no esvaziamento dos ecopontos têm levado ao transbordo frequente de resíduos na via pública. Recentemente, a própria ERSUC veio finalmente admitir a existência destes constrangimentos na sua operação. É um reconhecimento necessário, mas que não apaga os custos reputacionais e operacionais que caem injustamente sobre o município e sobre a qualidade de vida dos cidadãos, mascarando o esforço diário do executivo. Continuaremos a exigir inflexivelmente à entidade gestora que cumpra as suas obrigações, aumente a frequência de recolha e modernize os seus equipamentos.
Ainda assim, importa sublinhar uma verdade fundamental: a existência de um ecoponto temporariamente cheio ou a lentidão do operador não legitimam o abandono de lixo no chão. Abandonar móveis, eletrodomésticos ou sacos de resíduos na via pública não é uma resposta aceitável. A Câmara Municipal disponibiliza um serviço gratuito de recolha de “monos” mediante agendamento prévio; utilizar os canais corretos é um dever cívico elementar.
O futuro da higiene urbana em Coimbra exige uma visão integrada que combine a fiscalização rigorosa com políticas ativas de incentivo à cidadania.
Queremos evoluir para um modelo mais justo, suportado por tecnologia e tarifas dinâmicas baseadas no princípio do “poluidor-pagador”, onde quem produz menos resíduos e os separa corretamente possa beneficiar diretamente dessa atitude.
A nível municipal e nacional, existem diversos caminhos e exemplos de incentivos que podem vir a ser explorados: desde a implementação de “pontos verdes” – uma solução digital onde os cidadãos acumulam créditos ao separar resíduos e utilizar os ecopontos, podendo depois convertê-los em vales no comércio local, bilhetes para eventos culturais ou descontos na fatura da água, ou, ainda, beneficiar da concessão de benefícios fiscais locais para agregados ou estabelecimentos comerciais que adiram rigorosamente à compostagem ou à separação na origem.
No entanto, estes estímulos positivos e a pedagogia têm de caminhar lado a lado com firmeza. Reforçámos a fiscalização no terreno, em articulação com a Polícia Municipal, e continuaremos a agir com rigor e a aplicar as devidas coimas perante atos reiterados de incivismo e deposição ilegal de resíduos.
A autarquia está a fazer o seu caminho, a investir recursos e a exigir responsabilidades a quem deve cumprir esse direito. Mas nenhuma frota de camiões, nenhum exército de cantoneiros e nenhuma tecnologia serão suficientes se não houver um compromisso individual de cada coimbrinense. Uma cidade verdadeiramente limpa não é apenas aquela que se limpa todos os dias, mas sobretudo aquela que todos ajudam a manter limpa.
Cuidar de Coimbra é uma responsabilidade de cada um de nós.
Publicado na edição de 29/08/2026 do Correia da Manhã