A assinatura do contrato-programa decorreu no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, numa cerimónia que contou com a presença da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, da vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, Margarida Mendes Silva, do presidente do Conselho de Administração da Museus e Monumentos de Portugal e da coordenadora nacional da Rede Portuguesa de Museus. A iniciativa reuniu representantes de autarquias, fundações e universidades, no âmbito de um programa que vai financiar 40 projetos museológicos em todo o país, num investimento global superior a um milhão de euros.
Em Coimbra, o projeto representa um investimento de 72.759,42 euros, dos quais 43.410,75 euros são assegurados pelo ProMuseus e 29.348,67 euros pelo Município. Com um prazo de execução previsto de 12 meses, a intervenção resulta de uma parceria entre o Museu Municipal de Coimbra e o Museu Nacional de Machado de Castro, procurando recuperar uma ligação histórica entre os dois espaços.
Uma viagem digital ao antigo Mosteiro de Santa Cruz
Hoje, para conhecer a “Última Ceia” de Hodart e o refeitório para o qual foi concebida, é necessário visitar dois museus diferentes. O “Refeitório Vivo” vai aproximar essas duas experiências através da criação de núcleos interpretativos complementares, permitindo descobrir como a obra se integrava originalmente no espaço.
Na Sala da Cidade, os visitantes poderão recorrer à realidade aumentada, a tablets e a um ecrã tátil para explorar uma reconstituição tridimensional do antigo refeitório, da copa e da cozinha do Mosteiro de Santa Cruz. A experiência permitirá conhecer melhor a organização dos espaços, as vivências quotidianas e os hábitos alimentares dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.
Será também possível visualizar uma reconstituição da antiga capela nascente, atualmente emparedada, e perceber como o conjunto escultórico de Hodart poderá ter estado originalmente disposto naquele espaço.
Já no Museu Nacional de Machado de Castro, junto à “Última Ceia”, um segundo núcleo digital permitirá aos visitantes descobrir o contexto para o qual a obra foi criada, conhecer as suas características e acompanhar o percurso de conservação e restauro que possibilitou a sua preservação.
O projeto pretende, assim, incentivar a circulação de visitantes entre os dois museus, criando uma nova ligação cultural entre a Baixa e a Alta de Coimbra.
Investigação científica ao serviço dos visitantes
A concretização do projeto conta com o contributo de dois centros de investigação da Universidade de Coimbra, aproveitando conhecimento científico e recursos digitais já desenvolvidos.
O Centro de Estudos Sociais, através do projeto SANTACRUZ, disponibiliza as reconstituições tridimensionais da “Última Ceia” e da capela do antigo refeitório. Por sua vez, o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, através do projeto europeu CONVIVIUM, contribui com os modelos digitais do refeitório, da copa e da cozinha, bem como com a investigação sobre o património alimentar e as práticas de convivialidade monástica.
A empresa Weplan será responsável pelo desenvolvimento gráfico, produção audiovisual e integração dos diferentes conteúdos num ambiente digital, incluindo a representação da “Última Ceia” no espaço virtual do antigo refeitório.
A acessibilidade será outra das componentes centrais da intervenção. Os conteúdos disponibilizados nos dois museus vão incluir audiodescrição, legendagem em português, inglês e espanhol, bem como interpretação em Língua Gestual Portuguesa e Língua Gestual Internacional.
Com estas ferramentas, o projeto pretende chegar a públicos com diferentes necessidades e permitir que mais pessoas descubram a história de uma obra e do lugar para o qual foi criada.