Apesar de ter assumido a vontade de reduzir o espaço para os automóveis na cidade, a autarca considerou que tal só poderá ser feito quando forem oferecidas “alternativas às necessidades das pessoas”. Essa alteração, vincou, “não se faz de um dia para o outro”, mas entendeu que o município tem de ter essa pretensão no horizonte, sem fazer referência a metas ou prazos para tal.
Durante a sua intervenção, Ana Abrunhosa considerou que as árvores no espaço urbano assumem um “papel estruturante para cidades resilientes e mais preparadas para a mudança”.
Para a presidente da Câmara de Coimbra, a ecologia tem de estar presente na revisão do Plano Diretor Municipal, aliando-a também à mobilidade. Ana Abrunhosa assumiu que o município tem de “investir mais no diálogo, na partilha de conhecimento e na construção conjunta de soluções”, num trabalho que tem de ter uma ligação à academia.
“Não podemos olhar para as árvores urbanas apenas como elementos paisagísticos. Têm de ser elementos fundamentais da cidade e da vivência da cidade”, disse a autarca. Recentemente, no âmbito das obras do Sistema de Mobilidade do Mondego, foram abatidas mais de 20 árvores na rua Lourenço Almeida Azevedo, tendo Ana Abrunhosa assumido que a pressa “não pode ser justificação” para não se abrir um diálogo. “Vamos assumir o que aconteceu e vamos aproveitar isso como fator de aprendizagem”, disse.
No debate, moderado pela docente Helena Freitas, o ex-vice-presidente da Câmara do Porto, Filipe Araújo, apontou para a necessidade de o ambiente estar presente nas várias decisões de um município, apontando também para o plano de arborização daquela cidade (apesar de, em 2025, o jornal Público dar conta de que o Porto tinha apenas plantado um quilómetro de 24 definidos como de arborização muito prioritária em 2023).
Já o diretor do Laboratório da Paisagem de Guimarães, Carlos Ribeiro apontou para a necessidade de um consenso a nível local para se conseguir uma política contínua e continuada na área ambiental.
O docente da Universidade de Coimbra João Loureiro alertou para uma gestão do espaço verde municipal mais cuidada, onde há sobretudo “relvados estéreis”, sem preocupação com a biodiversidade presente na cidade.
“Ao substituirmos vegetação por cimento e asfalto estamos a criar ilhas de calor urbano”, notou a professora da Universidade de Lisboa Cristina Branquinho, lamentando também os ambientes excessivamente esterilizados em que as crianças crescem, numa sociedade cada vez mais desvinculada da natureza.
LUSA / CM de Coimbra