Na sua intervenção inicial, no Período Antes da Ordem de Trabalhos, a vereadora destacou a importância deste órgão enquanto espaço de diálogo e de construção de políticas públicas, sublinhando o compromisso da Câmara Municipal de Coimbra com o reforço do investimento na cultura e com a valorização do tecido cultural local.
Margarida Mendes Silva referiu ainda a dinâmica cultural que se tem vindo a afirmar no concelho, apontando exemplos recentes como a Mostra de Doçaria Conventual e Contemporânea, o Salão do Livro Antigo ou o Abril Dança Coimbra, bem como o apoio a projetos na área do cinema e o investimento nos equipamentos municipais ou ainda a recuperação da Casa da Escrita, com uma programação estruturada em seis eixos temáticos.
Coimbra é uma das cidades mais dinâmicas do país no domínio cultural
Margarida Mendes Silva sublinhou também que Coimbra se afirma hoje como uma das cidades mais dinâmicas do país no domínio cultural, sendo, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, a terceira que mais investe em atividades culturais e criativas e em artes do espetáculo, apenas ultrapassada por Lisboa e pelo Porto.
Este posicionamento resulta de uma estratégia consistente de valorização do setor, traduzida também no reforço do investimento municipal, que ultrapassa os 19,5 milhões de euros nas Grandes Opções do Plano para 2026, e no apoio continuado ao tecido cultural e associativo.
Neste quadro, a vereadora da Cultura destacou, igualmente, o papel estruturante do Convento São Francisco, que tem registado um crescimento muito significativo, com cerca de 175 mil utilizadores em 2025, que se traduzem numa média semanal de 3.663 pessoas. No primeiro trimestre de 2026, este valor subiu para mais de 4.000 pessoas por semana. Margarida Mendes Silva sublinhou que estes números consolidam o Convento São Francisco como um equipamento central na vida cultural da cidade, reforçando que “a qualidade e a coerência de programação nunca foram comprometidas”.
“Instrumento nevrálgico para a política cultural”
O novo Regulamento Municipal de Apoio ao Associativismo Cultural assumiu-se como um dos pontos centrais da reunião, sendo apresentado como um “instrumento nevrálgico para a política cultural”, tal como referiu a vereadora.
A proposta resulta de um processo de revisão que procurou responder às necessidades do setor, introduzindo novas tipologias de apoio, maior transparência e mecanismos que promovem estabilidade financeira e operacional às entidades culturais.
Entre as principais novidades, destaca-se o alargamento dos apoios plurianuais, a inclusão, ainda que setorial, de novos agentes culturais como pessoas singulares e coletivos informais, e a criação de novas linhas de financiamento, como o apoio à edição autoral e à criação artística em regime de residências. O regulamento vem também formalizar o apoio a eventos e projetos âncora, reconhecendo o seu papel estratégico na afirmação cultural do concelho.
A proposta seguirá agora os trâmites legais, o que vai envolver ainda períodos de discussão pública e consulta pública, bem como apreciação pelos respetivos órgãos municipais.
Nova mesa do Conselho Municipal da Cultura
Durante os trabalhos, foram também apresentados os novos membros da mesa, que agora é constituída por Jorgette Dumby, José Miguel Pereira e Bernardo Rocha. Relativamente à indicação de personalidades de indiscutível mérito, foi apresentada uma proposta para reforçar a participação das associações, que passa pela criação de um formulário online para indicação destas personalidades de mérito.
A necessidade de encontrar soluções para espaços de funcionamento partilhados foi outro dos tópicos abordados no encontro.
A reunião abordou ainda outros temas relevantes, como a necessidade de aprofundar a definição das políticas culturais para o atual mandato, tendo sido agendada uma sessão extraordinária do Conselho Municipal da Cultura para breve, dedicada exclusivamente a esta matéria.