Com o mote “Amazónias Futuras”, a programação reúne seis espetáculos, cinco dos quais provenientes da região amazónica, e propõe imaginar futuros através das artes cénicas. Coproduzida por 16 instituições culturais, 14 das quais integrantes da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP), a mostra, com curadoria do dramaturgo e professor Jorge Louraço Figueira, passa por Coimbra, Aveiro, Loulé, Mafra, Penafiel, Santarém, Alcanena, Ourém, Viana do Castelo, Águeda, Lousã, Marinha Grande e Porto.
Coimbra e Aveiro mantêm-se como os principais centros da rede de programação, afirmando-se como territórios centrais da mostra. Em Coimbra, participam o Teatrão – Oficina Municipal do Teatro, o Convento São Francisco, o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) e A Escola da Noite – Teatro da Cerca de São Bernardo, reforçando a dimensão da cidade enquanto espaço de criação, acolhimento e circulação artística.
A quinta edição da Todos São Palco conta com financiamento da Câmara Municipal de Coimbra, do IBERESCENA, da Direção-Geral das Artes e da RTCP.
6 espetáculos para pensar as “Amazónias Futuras”
A programação da TSP26 integra “As Cores da América Latina”, da companhia Panorando, de Manaus, que cruza dança e teatro numa abordagem não linear à história do último Fofão, personagem do Carnaval Maranhense, evocando a memória de tradições latino-americanas. Distinguido, em 2024, com o 34.º Prémio Shell de Teatro, na categoria Destaque Nacional, o espetáculo passa pelo Convento São Francisco, no dia 24 de setembro, às 19h00. Os bilhetes vão ser colocados à venda em breve.
Também do Brasil chega “O Avesso da Pele”, criação do Coletivo Ocutá, de São Paulo, a partir do romance homónimo de Jeferson Tenório, vencedor do Prémio Jabuti de Melhor Romance Literário em 2021. A peça acompanha Pedro após o assassinato do pai às mãos da polícia, numa viagem pelas origens, pela história familiar e pela vida do progenitor. O espetáculo, que conta no elenco com Vitor Britto, indicado ao 34.º Prémio Shell de Melhor Ator, será apresentado em Coimbra, no TAGV, no dia 2 de outubro, às 21h30.
A relação com a floresta e a crise que a Amazónia atravessa está igualmente no centro de “Los Devoró la Selva”, de Eloisa Jaramillo e Mateo Mejía, de Bogotá, criado a partir de A Voragem, de José Eustasio Rivera. Através de uma abordagem ecossomática do movimento, o espetáculo propõe um percurso de redescoberta do olhar e de contacto com uma “selva interior”, com duas apresentações previstas em Coimbra, na Oficina Municipal do Teatro, nos dias 23 e 24 de setembro, às 21h30.
Do Peru chega “DES-CONOCIDO”, do Grupo Cultural Yuyachkani, de Lima, um dos mais históricos grupos teatrais sul-americanos e o mais antigo em atividade ininterrupta no país, desde 1971. Com interpretação de Julián Vargas e dramaturgia e direção de Miguel Rubio Zapata, o solo aborda temas como a saúde mental, o confinamento, o esquecimento e a exclusão e assinala a estreia do grupo em Portugal. O espetáculo estará em cena em Coimbra, na Escola da Noite, no dia 25 de setembro, às 19h00.
A artista brasileira Uýra, de Manaus, apresenta “Ponto Final, Ponto Seguido”, uma performance-ritual que procura ativar vidas, memórias, águas e florestas ocultadas sob as materialidades e os imaginários coloniais. A apresentação em Coimbra decorre no dia 23 de setembro, às 17h00, no TAGV.
A programação inclui ainda “Fértil em Terras Áridas”, do Ateliê 23, de Manaus, com uma sessão em Coimbra, na Oficina Municipal do Teatro no dia 1 de outubro, às 19h00. A apresentação em Coimbra inclui ainda um jantar de gastronomia amazónica. Em palco, cinco bufões despedidos pelo alto clero que os apoiava contam uma história sobre a condição de ser artista num contexto dominado pelo poder corrupto.
Criação, formação e encontro com as comunidades
A mostra integra também um programa de atividades paralelas dedicado a áreas como a literatura, a dramaturgia, a encenação, a performance e a dança, abordando temas como a sustentabilidade, a igualdade e a identidade. Neste contexto, a Oficina Municipal do Teatro assume um papel de destaque enquanto polo de formação, acolhendo oficinas e masterclasses com as equipas artísticas dos espetáculos que integram a programação.
Está ainda previsto um ciclo de conversas com artistas participantes na TSP26, repartido entre a OMT, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e o Instituto de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a 24 de setembro e a 1 e 8 de outubro. Estes momentos pretendem promover o encontro entre artistas, investigadores, comunidades e públicos, estimulando o pensamento crítico e o diálogo em torno de temas que ultrapassam fronteiras nacionais.
No total, a Todos São Palco reúne artistas provenientes do Brasil, da Colômbia e do Peru, oriundos de sete cidades: Manaus, Bogotá, Lima, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Natal. O alargamento da abrangência geográfica e artística da programação está também na origem da alteração do subtítulo da iniciativa, que deixa de se designar “Mostra de Teatro Brasileiro” para passar a ser “Mostra de Teatro Além do Equador”.
Coimbra no centro de uma rede nacional
A edição de 2026 envolve 16 instituições culturais e consolida a Todos São Palco como um dos mais abrangentes projetos de circulação artística no âmbito da RTCP. Para além dos equipamentos de Coimbra, a programação passa pelo Teatro Aveirense, em Aveiro, Cineteatro Louletano, em Loulé, Auditório Municipal Beatriz Costa, em Mafra, Ponto C, em Penafiel, Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, Cine-Teatro São Pedro, em Alcanena, Teatro Municipal de Ourém, Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo, Centro de Artes de Águeda, Teatro Municipal da Lousã, Teatro Stephens, na Marinha Grande, e Festival Quilombo_Trema!, no Porto.
Criada em 2012, a Todos São Palco realizou uma segunda edição em 2013 e regressou, com regularidade bienal, em 2022. Nesse ano, coincidindo com o bicentenário da independência do Brasil, a programação incidiu sobre versões não oficiais desse processo histórico. Em 2024, no contexto dos 50 anos da Revolução dos Cravos, a mostra centrou-se no trabalho de Augusto Boal e José Celso Martinez Corrêa, figuras que estiveram em Portugal entre 1974 e 1976. Em 2026, a iniciativa alarga novamente o seu horizonte, propondo, a partir das teatralidades da Amazónia, novas perspetivas sobre o presente e os futuros que é possível imaginar.
Programa completo aqui
Mais informação em: oteatrao.com/programacao/todos-sao-palco-2026/