A entrada em funcionamento dos novos troços foi acompanhada por uma profunda reorganização da mobilidade na cidade. A oferta passou de 291 para 452 circulações diárias, o Metrobus circula com frequências de cinco minutos nas horas de ponta e as linhas urbanas 4, 7 e 103 dos SMTUC foram reforçadas em cerca de 30%. Com o passe MOVE-C, os passageiros passam ainda a poder utilizar SMTUC e Metrobus com um único título, reforçando a integração entre os diferentes modos de transporte.
A chegada a Coimbra-B cria uma ligação direta entre a principal estação ferroviária da cidade e o centro, permitindo aos passageiros provenientes, por exemplo, de Pombal ou do Entroncamento prosseguir viagem através do Metrobus. A ligação à Praça da República aproxima o sistema da Universidade de Coimbra, da zona da Alta e de um dos principais polos de atividade da cidade.
Nova mobilidade muda também a cidade
Na cerimónia, Ana Abrunhosa enquadrou a entrada em funcionamento dos novos troços numa transformação que ultrapassa a reorganização dos transportes públicos e que pretende alterar a relação da cidade com o espaço público, a Baixa e a mobilidade pedonal.
A presidente da Câmara reconheceu os constrangimentos sentidos durante os primeiros dias de funcionamento da nova rede, nomeadamente alterações de paragens, filas e dificuldades de adaptação de alguns passageiros, assumindo o compromisso de acompanhar a operação e corrigir as situações que não estejam a funcionar adequadamente. “Vamos monitorizar e corrigir. Aquilo que não estiver a funcionar será ajustado”, afirmou Ana Abrunhosa.
A autarca destacou igualmente a alteração da circulação na Rua da Sofia, onde foi eliminado o trânsito de atravessamento, mantendo-se os acessos necessários a residentes, comerciantes e demais utilizadores locais. A medida integra a estratégia de valorização da Baixa e de criação de melhores condições para a circulação pedonal e para a utilização do espaço público.
A campanha “E agora, como vou?”, desenvolvida conjuntamente pelo Município, Metro Mondego e SMTUC, acompanha esta fase de transição, com equipas no terreno, reforço da Polícia Municipal e informação aos utilizadores.
Terrenos ferroviários abrem oportunidade para habitação
A cerimónia ficou também marcada pelo anúncio do avanço do processo para a passagem para a esfera municipal de terrenos atualmente pertencentes à Infraestruturas de Portugal, junto à antiga Estação Nova e ao corredor ferroviário desativado. O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, informou que a Infraestruturas de Portugal já instruiu o processo relativo ao terreno junto à Estação Nova e que a ESTAMO está em condições de proceder à respetiva avaliação.
A intenção do Município é integrar esta área numa operação de planeamento urbano com forte componente habitacional, incluindo habitação a custos acessíveis, complementada por comércio, serviços, equipamentos culturais e outras funções urbanas.
Para Ana Abrunhosa, a disponibilização destes terrenos representa uma oportunidade para ligar o investimento em mobilidade à transformação da própria cidade, aproveitando áreas anteriormente ocupadas pela infraestrutura ferroviária para criar habitação, serviços e novos espaços urbanos.
O Governo sinalizou igualmente a intenção de transferir para a esfera municipal outros terrenos associados à antiga Linha da Lousã no atravessamento de Coimbra.
Coimbra-B assume papel central na intermodalidade
A ligação do Metrobus a Coimbra-B reforça o papel desta estação enquanto principal interface entre o sistema ferroviário nacional e a rede de transportes urbanos e regionais.
A partir deste ponto, os passageiros que chegam a Coimbra por comboio passam a dispor de ligação direta de Metrobus ao centro da cidade, enquanto os utilizadores provenientes da Lousã e de Miranda do Corvo passam também a beneficiar de uma ligação contínua ao centro de Coimbra.
O Sistema de Mobilidade do Mondego utiliza autocarros elétricos em canal dedicado e estabelece uma ligação entre Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã. O projeto representa um investimento global de aproximadamente 210 milhões de euros, apoiado por fundos europeus.
Rede continua a crescer
Apesar da abertura das ligações a Coimbra-B e à Praça da República, a rede prevista para Coimbra não está concluída. Está prevista para 2027 a Linha do Hospital, mantendo o Município como prioridades futuras a ligação ao Polo II, a ligação entre a Solum e a zona dos Hospitais e a ligação entre os Hospitais e Coimbra-B.
O Município acompanha igualmente os estudos relativos às extensões do sistema a Condeixa-a-Nova, Cantanhede e Mealhada, procurando reforçar a dimensão regional da rede de mobilidade.
A presidente da Câmara defendeu que a consolidação do sistema deve ser pensada à escala da Região de Coimbra, articulando mobilidade urbana, transportes regionais e os futuros investimentos ferroviários.
Alta Velocidade e A13 com novos desenvolvimentos
Durante a cerimónia, o ministro das Infraestruturas e Habitação atualizou também o calendário de outros investimentos estruturantes para Coimbra e para a Região. Miguel Pinto Luz indicou que está próxima a consignação do troço da linha de Alta Velocidade entre Oiã e Soure, que inclui a passagem por Coimbra e está associado à futura reorganização da estação ferroviária.
O governante anunciou igualmente que deverá ser consignado nas próximas semanas o estudo para a conclusão da A13, incluindo a ligação ao IP3, a norte de Coimbra, e a continuidade da infraestrutura a sul.
Estes investimentos deverão articular-se com a transformação em curso na mobilidade urbana e regional, reforçando o papel de Coimbra nas ligações ferroviárias e rodoviárias nacionais.
Mais oferta e acompanhamento da operação
A abertura dos novos troços ocorre depois de vários meses de crescimento da procura do Metrobus. Em maio, o Governo anunciou que o sistema tinha ultrapassado um milhão de validações desde o início da operação comercial, registando níveis de utilização superiores aos inicialmente estimados.
Com Coimbra-B e Praça da República agora integradas na rede, Município, SMTUC e Metro Mondego entram numa nova fase de operação, com o objetivo de consolidar a intermodalidade, acompanhar os padrões de procura e proceder aos ajustamentos considerados necessários.
A Câmara Municipal assume que a adaptação a uma alteração desta dimensão exige acompanhamento permanente, mantendo o compromisso de avaliar o funcionamento da nova rede, ouvir os utilizadores e introduzir correções sempre que se revelem necessárias.