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11 Fevereiro 2026

Coimbra alarga evacuações preventivas às localidades da margem direita do Mondego

A Câmara Municipal de Coimbra e a Proteção Civil decidiram esta quarta-feira, 11 de fevereiro, alargar as evacuações preventivas às localidades de São Martinho de Árvore, Quimbres, em São Silvestre, e São João do Campo, num contexto de caudais elevados no rio Mondego e após a rutura parcial de um dique registada durante a tarde. Segundo a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, a medida é adotada por precaução, sobretudo devido à inundação provocada pelo “rio velho” e às previsões de nova precipitação intensa, e não por uma relação direta com a rutura do dique. Estas povoações passam a ter como ponto de acolhimento a Escola Básica 2/3 de São Silvestre, conforme previsto no plano de contingência definido a 1 de fevereiro. As medidas preventivas vão manter-se ativas, pelo menos, até sábado de manhã, altura em que será feita nova avaliação da situação.

Depois das evacuações iniciadas na terça-feira, 10 de fevereiro, em Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila, São Martinho do Bispo, Conraria e Cabouco, o Município determinou agora a retirada preventiva de população residente nas zonas ribeirinhas da margem direita a jusante do açude, tendo em conta a evolução hidrológica (cerca de 2.100 m3/s, acima do limite de segurança da Ponte Açude) e a previsão de nova precipitação intensa entre quinta e sexta-feira.

 

A decisão foi anunciada em conferência de imprensa realizada no Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, da presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, das entidades de proteção civil e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

 

Ana Abrunhosa explicou que o alargamento das evacuações não resulta diretamente da rutura do dique, mas da inundação provocada pelo chamado “rio velho” e do risco de novas ocorrências. “Não podemos correr riscos. A vida das pessoas está acima de qualquer transtorno”, afirmou, sublinhando que a situação desta tarde estava prevista pelos modelos hidrológicos da APA. “Proteção civil é prevenção. Agimos com antecedência porque tínhamos informação técnica que apontava para este cenário”, acrescentou, apelando à serenidade e à paciência da população.

 

Uma nova avaliação será feita no sábado de manhã, seguindo-se uma conferência de imprensa às 12h00.

 

A autarca deixou ainda uma palavra de reconhecimento ao dispositivo no terreno. “Coimbra não sente falta de meios”, afirmou, agradecendo profundamente a todas as entidades e aos profissionais, voluntários e autarcas que, há vários dias, asseguram uma resposta articulada e permanente no território.

 

Rutura parcial e corte da A1

A rutura parcial do dique, com cerca de 10 metros, ocorreu numa zona adjacente a campos agrícolas, originando cheias lentas que se vão espraiar a jusante, afetando também o concelho de Montemor-o-Velho, informou a ministra do Ambiente e Energia.

 

Por precaução, o trânsito na Autoestrada 1 (A1) foi cortado entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul, em ambos os sentidos.

 

Maria da Graça Carvalho referiu que, só nos últimos dias, a precipitação registada corresponde a cerca de 20% da média anual. As descargas controladas realizadas desde janeiro representam o equivalente a um ano de consumo nacional. As barragens da Aguieira e das Fronhas têm atualmente capacidade de encaixe muito reduzida, apesar das descargas controladas que têm vindo a fazer, o que obriga a vigilância permanente dos diques e da evolução dos caudais.

 

Apelo à serenidade e cumprimento das orientações

O Primeiro-Ministro apelou ao cumprimento rigoroso das indicações das autoridades, incluindo a saída das habitações nas zonas de risco. Alertou que ainda se prevê precipitação intensa nas próximas horas e possível agravamento entre quinta e sexta-feira. “Todo o dispositivo do Estado está no terreno, com total cooperação entre instituições”, garantiu.

 

O Presidente da República destacou que o país enfrenta dois meses de chuva anormalmente intensa e que as medidas de evacuação foram decididas com base em informação técnica clara e fundamentada. Agradeceu ainda a forma como as populações têm reagido, salientando a maturidade cívica demonstrada.

 

O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, José Manuel Moura, reforçou as recomendações para evitar circulação junto ao Mondego, não atravessar estradas inundadas e retirar equipamentos agrícolas das zonas ribeirinhas, acompanhando sempre a informação divulgada pelos canais oficiais.

 

O Município de Coimbra mantém todos os meios no terreno e continuará a comunicar de forma regular a evolução da situação, reiterando que as decisões estão a ser tomadas com base em critérios técnicos e com prioridade absoluta à salvaguarda de vidas.

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