Depois das evacuações iniciadas na terça-feira, 10 de fevereiro, em Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila, São Martinho do Bispo, Conraria e Cabouco, o Município determinou agora a retirada preventiva de população residente nas zonas ribeirinhas da margem direita a jusante do açude, tendo em conta a evolução hidrológica (cerca de 2.100 m3/s, acima do limite de segurança da Ponte Açude) e a previsão de nova precipitação intensa entre quinta e sexta-feira.
A decisão foi anunciada em conferência de imprensa realizada no Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, da presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, das entidades de proteção civil e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Ana Abrunhosa explicou que o alargamento das evacuações não resulta diretamente da rutura do dique, mas da inundação provocada pelo chamado “rio velho” e do risco de novas ocorrências. “Não podemos correr riscos. A vida das pessoas está acima de qualquer transtorno”, afirmou, sublinhando que a situação desta tarde estava prevista pelos modelos hidrológicos da APA. “Proteção civil é prevenção. Agimos com antecedência porque tínhamos informação técnica que apontava para este cenário”, acrescentou, apelando à serenidade e à paciência da população.
Uma nova avaliação será feita no sábado de manhã, seguindo-se uma conferência de imprensa às 12h00.
A autarca deixou ainda uma palavra de reconhecimento ao dispositivo no terreno. “Coimbra não sente falta de meios”, afirmou, agradecendo profundamente a todas as entidades e aos profissionais, voluntários e autarcas que, há vários dias, asseguram uma resposta articulada e permanente no território.
Rutura parcial e corte da A1
A rutura parcial do dique, com cerca de 10 metros, ocorreu numa zona adjacente a campos agrícolas, originando cheias lentas que se vão espraiar a jusante, afetando também o concelho de Montemor-o-Velho, informou a ministra do Ambiente e Energia.
Por precaução, o trânsito na Autoestrada 1 (A1) foi cortado entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul, em ambos os sentidos.
Maria da Graça Carvalho referiu que, só nos últimos dias, a precipitação registada corresponde a cerca de 20% da média anual. As descargas controladas realizadas desde janeiro representam o equivalente a um ano de consumo nacional. As barragens da Aguieira e das Fronhas têm atualmente capacidade de encaixe muito reduzida, apesar das descargas controladas que têm vindo a fazer, o que obriga a vigilância permanente dos diques e da evolução dos caudais.
Apelo à serenidade e cumprimento das orientações
O Primeiro-Ministro apelou ao cumprimento rigoroso das indicações das autoridades, incluindo a saída das habitações nas zonas de risco. Alertou que ainda se prevê precipitação intensa nas próximas horas e possível agravamento entre quinta e sexta-feira. “Todo o dispositivo do Estado está no terreno, com total cooperação entre instituições”, garantiu.
O Presidente da República destacou que o país enfrenta dois meses de chuva anormalmente intensa e que as medidas de evacuação foram decididas com base em informação técnica clara e fundamentada. Agradeceu ainda a forma como as populações têm reagido, salientando a maturidade cívica demonstrada.
O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, José Manuel Moura, reforçou as recomendações para evitar circulação junto ao Mondego, não atravessar estradas inundadas e retirar equipamentos agrícolas das zonas ribeirinhas, acompanhando sempre a informação divulgada pelos canais oficiais.
O Município de Coimbra mantém todos os meios no terreno e continuará a comunicar de forma regular a evolução da situação, reiterando que as decisões estão a ser tomadas com base em critérios técnicos e com prioridade absoluta à salvaguarda de vidas.