Toledo, cidade histórica espanhola de escala muito semelhante à nossa, enfrentava o mesmo dilema: um centro patrimonial no topo de uma encosta, difícil de alcançar a pé, sufocado pelo automóvel. A resposta foi um remonte mecânico, i. é., escadas rolantes ao ar livre, cuidadosamente integradas na paisagem junto à muralha, que liga os parques de estacionamento na base ao coração histórico. O resultado: menos carros no centro, mais visitantes a pé, património valorizado.
É este o caminho que propomos para as ligações curtas e íngremes entre a Baixa e o topo da colina universitária. À força da micromobilidade: veículos ligeiros elétricos e bicicletas partilhadas, queremos ponderar soluções mecânicas pedonais em pontos estratégicos, criando uma rede capilar que permita a estudantes, trabalhadores, residentes e turistas vencer o desnível com rapidez, sem esforço excessivo e com zero emissões.
Mas a colina não se vence apenas com engenharia; vence-se com uma nova cultura de rua. E aqui a referência é Pontevedra, a cidade galega que devolveu o centro aos peões e se tornou caso de estudo mundial: crianças que caminham sozinhas para a escola, comércio local revitalizado, ruído e sinistralidade em mínimos históricos. Queremos trazer esse espírito a Coimbra: zonas pedonais e áreas de coexistência onde as crianças possam brincar e circular em segurança, e parques infantis modernos e inclusivos nas nossas freguesias, sem exceção. Uma cidade estruturada para as crianças é excelente para todas as gerações.
Devolver as ruas às pessoas não é um gesto contra ninguém, antes pelo contrário, é a condição para que os bairros voltem a ter vida própria, comércio de proximidade e vizinhança verdadeira. A geografia de Coimbra, tantas vezes vista como obstáculo, pode tornar-se a nossa assinatura: uma cidade que se sobe sem cansaço e se percorre com prazer.
No terceiro e último artigo, fecharemos a malha: como o Metrobus e uma gestão inteligente do automóvel completam esta visão. É esta a Coimbra que estamos prontos a construir convosco.
Publicado na edição de 27/07/2026 do Diário de Coimbra