O Dar a Ouvir regressa ao Convento São Francisco para assinalar a sua 10.ª edição, com um programa que reafirma o lugar da escuta enquanto experiência artística, sensorial e crítica.
A programação volta a reunir artistas que trabalham nas fronteiras entre o som, a performance, a instalação, o corpo e a investigação científica. O público é convidado a contactar com um conjunto de propostas que expandem a forma como nos relacionamos com o espaço, a matéria e o tempo.
Ao longo de quase dois meses, o Dar a Ouvir apresenta instalações, performances, oficinas e videoarte. Os artistas Fernando Mota, Xavier Paes & Inês Tartaruga Água e os coletivos Teatro do Frio e Unloop apresentam, nesta edição, obras que colocam a escuta no centro da criação e da experiência coletiva.
A Montanha e o Micélio
Na sua 10.ª edição, o Dar a Ouvir prossegue o percurso conceptual desenvolvido nos últimos anos. Depois de “O Som de Todas as Coisas” e “A Materialidade (e a Consciência) do Som”, o ciclo apresenta agora “Dar a Ouvir: A Montanha e o Micélio”.
Mais do que procurar ouvir a montanha ou a rede micelial — embora Fernando Mota o tenha feito nas gravações de campo usadas em “Até ao Fim do Mundo” e Sara Montalvão e David Negrão (Unloop) pesquisem a riqueza das trocas e da comunicação nos micélios em “RHÎZA” —, as obras reunidas nesta edição convidam o público a pensar as relações entre corpos, matéria, tempo e espaço. O programa questiona perspetivas centradas no humano e abre caminho a outras formas de compreender o mundo através da escuta.
Carta branca a Xavier Paes & Inês Tartaruga Água
Um dos destaques desta edição é a presença de Xavier Paes & Inês Tartaruga Água, a quem o Dar a Ouvir deu carta branca para desenvolver uma nova criação, que abre ao público de 21 de agosto a 6 de setembro. Ao longo de mais de um mês de trabalho, em contexto de residência artística, a dupla cria uma peça para o espaço do Convento São Francisco e apresenta também obras que marcaram o seu percurso recente.
Destaque ainda para a instalação “Puro Spirito”, ativada por uma performance no dia 30 de julho, às 18h00, na Sala Sofia, onde ficará patente até 6 de setembro.
A dupla propõe ainda as performances “Berrante”, a 18 de julho, às 18h00, na Antiga Igreja do Convento São Francisco; “Opus II”, a 5 de setembro, às 18h00, na Antiga Igreja; e “Variações para Piões”, a 6 de setembro, às 17h00, na Black Box.
Paralelamente, os artistas conduzem três oficinas, no dia 24 de julho, às 10h30, e nos dias 25 e 26 de julho, às 16h00. Este conjunto de propostas explora as relações entre corpo, espaço, matéria e escuta através da ressonância, do movimento e da transformação de objetos e arquiteturas em instrumentos sonoros.
“RHÎZA” cruza arte, ciência e tecnologia
Outro dos destaques desta edição é “RHÎZA”, instalação interativa do coletivo Unloop, patente entre 18 de julho e 6 de setembro, na Sentina do Convento São Francisco, com uma performance de ativação agendada para o dia 18, às 17h00 e às 19h00.
Cruzando pensamento artístico, tecnologia, corpo em movimento e investigação científica desenvolvida na Universidade de Coimbra nas áreas da micologia e da neurociência, a obra convida o público a explorar novas formas de contemplação e de relação com o mundo biológico através da interação.
A instalação assinala ainda o culminar de um processo de criação desenvolvido ao longo dos últimos oito meses, em residência artística no Salão Brazil, no âmbito do apoio à criação promovido pelo Jazz ao Centro Clube. Uns dias antes, a 14 de julho, Sara Montalvão promove a oficina “RHÎZA: Prática de Corpo”, com entrada gratuita.
Teatro do Frio estreia “Da Prece ao Techno”
Em estreia absoluta, o Teatro do Frio apresenta a criação multidisciplinar “Da Prece ao Techno”. O coletivo de pesquisa, criação e produção teatral do Porto traz ao Dar a Ouvir um espetáculo inédito, que será apresentado na Black Box do Convento São Francisco, às 19h00 do dia 31 de julho.
A nova criação cruza som, corpo e experiência sensorial, num percurso entre a escuta interior e a celebração coletiva, investigando a ressonância enquanto relação entre corpos, materiais e espaço.
Fernando Mota apresenta “Até ao Fim do Mundo”
O universo criativo de Fernando Mota vai estar presente com a instalação vídeo “Até ao Fim do Mundo”, desenvolvida com Mário Melo Costa e patente entre 18 de julho e 6 de setembro.
A 26 de julho, às 18h00, Fernando Mota apresenta, no palco do Grande Auditório do Convento São Francisco, o espetáculo homónimo. “Até ao Fim do Mundo” é uma criação multidisciplinar que reúne geologia, música, literatura e vídeo para refletir sobre a relação entre o tempo geológico e o tempo humano.
Partindo da colaboração com geólogos de diferentes geoparques portugueses, o projeto propõe uma reflexão sobre o tempo profundo e o lugar da espécie humana na história da Terra.
Conversas no Salão Brazil
Paralelamente à programação artística, o Dar a Ouvir vai promover ainda um programa convergente de conversas, a decorrer no Salão Brazil, em Coimbra, a anunciar em breve.
Mantendo o seu arranque no Dia Mundial da Escuta, ou World Listening Day, celebrado a 18 de julho, o Dar a Ouvir apresenta, nesta edição, uma programação distribuída ao longo de quase dois meses. Sem se limitar ao fim de semana de abertura, o programa reforça a aposta na criação artística, nas residências e nos processos de experimentação, afirmando-se como um espaço de desenvolvimento e apresentação de novos projetos.
Bilhetes e informações
À semelhança do que tem acontecido nas edições anteriores, a maioria das propostas do programa tem entrada gratuita, sujeita à lotação dos espaços e mediante levantamento de bilhete no próprio dia, na bilheteira do Convento São Francisco, que funciona diariamente entre as 15h00 e as 20h00.
Os bilhetes para o espetáculo “Da Prece ao Techno”, do Teatro do Frio, já estão disponíveis na Ticketline e na bilheteira do Convento São Francisco, com desconto de 40% para Cartões Amigo, além dos descontos habituais.