A apresentação decorreu na Cooperativa Agrícola de Coimbra e contou com a participação da presidente da Câmara Municipal, Ana Abrunhosa, do presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra, Pedro Pimenta, do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Álvaro Mendonça e Moura, e de Nuno Bravo, em representação da Agência Portuguesa do Ambiente.
O projeto “Restabelecimento funcional de percursos delimitados pelo rio Mondego, rio Velho e Vala Real” dá execução ao financiamento garantido pelo Município, em junho, através da iniciativa “Territórios Resilientes”, e incide numa rede de caminhos essencial ao acesso às explorações e à circulação de pessoas, máquinas e produtos agrícolas.
Agricultura mantém-se como prioridade
A intervenção prevê a recuperação dos pavimentos, melhoria das condições de drenagem, trabalhos em passagens hidráulicas, pontes e pontões e outras ações destinadas a reduzir vulnerabilidades perante futuros fenómenos meteorológicos extremos.
Ana Abrunhosa deixou claro que qualquer valorização futura deste território terá de partir da sua função principal. “A função principal destes caminhos continuará a ser agrícola”, afirmou a presidente da Câmara Municipal, acrescentando: “Não pretendemos transformar os campos num espaço turístico, nem promover utilizações que prejudiquem o trabalho dos agricultores”.
A recuperação pretende, assim, melhorar as condições de trabalho e circulação no Vale do Mondego e, simultaneamente, criar infraestruturas mais resistentes aos efeitos de cheias, erosão e outros fenómenos extremos que têm afetado repetidamente este território.
Recuperação pode abrir caminho a ligação entre Choupal e Geria
Para além da intervenção financiada pelo Fundo Ambiental, o Município pretende estudar formas de valorizar os percursos recuperados, articulando a atividade agrícola com a natureza, a mobilidade suave, os produtos locais e a economia rural.
Entre as possibilidades apresentadas está a criação de uma ligação pedonal e ciclável entre a Mata Nacional do Choupal e a Mata da Geria, através de caminhos utilizados também por veículos de apoio à agricultura. A proposta será desenvolvida como projeto complementar e deverá começar por um troço-piloto, antes de qualquer implementação mais alargada.
A prioridade, sublinhou Ana Abrunhosa, é garantir que qualquer nova utilização é compatível com a atividade agrícola e construída com quem trabalha diariamente no território.
“Temos de continuar a ouvir os agricultores, as associações, as freguesias, os produtores e os operadores locais; identificar os percursos que reúnem as condições necessárias e ponderar a criação de um primeiro troço-piloto que permita testar soluções, avaliar impactos e corrigir o que for necessário”, afirmou.
Dois milhões de euros para reforçar a resiliência do Vale do Mondego
O financiamento de dois milhões de euros enquadra-se no contrato-programa celebrado entre o Fundo Ambiental, a Agência Portuguesa do Ambiente e o Município de Coimbra, no âmbito da iniciativa “Territórios Resilientes”.
A intervenção surge na sequência dos danos causados pelas tempestades e cheias registadas nos primeiros meses de 2026, que agravaram problemas de erosão, drenagem e degradação de vários caminhos utilizados para acesso às explorações agrícolas.
Mais do que repor as condições existentes antes das intempéries, o projeto pretende aumentar a capacidade de resistência das infraestruturas e reduzir a repetição de danos em futuros episódios meteorológicos extremos.
A sessão permitiu ainda recolher contributos dos agricultores e das entidades do setor para o desenvolvimento da intervenção e para a futura valorização dos percursos. As cooperativas e associações do Baixo Mondego e do Vale do Mondego irão agora analisar a proposta municipal e apresentar sugestões, antes da definição do primeiro troço-piloto.