Devolver a Estação Nova à cidade
Segundo destacou a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, a Estação Nova representa um dos símbolos maiores da ligação histórica de Coimbra ao progresso e ao seu centro urbano, tendo durante décadas funcionado como ponto de chegada de estudantes, mercadorias e visitantes que moldaram a vida económica e social da cidade.
Com o encerramento da função ferroviária tradicional e a transformação do corredor ferroviário no sistema de mobilidade Metrobus, Coimbra encontra-se agora num período de transição que abre uma oportunidade única para devolver este património à vivência quotidiana da cidade.
A estratégia municipal pretende reabilitar, ativar e reconverter funcionalmente o edifício, devolvendo-o aos cidadãos através de novos usos económicos, culturais, educativos e turísticos, reforçando a ligação entre o centro histórico e o rio Mondego.
Inovação, investimento e desenvolvimento económico
Entre as valências previstas encontra-se a instalação da Agência Municipal para o Investimento e Inovação — GoCoimbra, que funcionará como âncora para a atração de investimento, empresas inovadoras e emprego qualificado, em articulação com o futuro Distrito de Inovação da Frente Ribeirinha.
O edifício deverá acolher espaços dedicados à inovação empresarial, formação tecnológica, atividades culturais, serviços e iniciativas de promoção de produtos locais e regionais, contribuindo para dinamizar a economia urbana e reforçar a atratividade da Baixa.
O projeto prevê igualmente a valorização da memória ferroviária do espaço, preservando a identidade histórica da Estação enquanto porta de entrada simbólica da cidade.
Intervenção faseada e nova praça aberta ao Mondego
A intervenção será desenvolvida de forma faseada. Numa primeira etapa será reabilitada a ala poente do edifício para instalação do Hub de Desenvolvimento da GoCoimbra.
Numa fase posterior, a Estação Nova será progressivamente reaberta ao público como equipamento multifuncional, integrando espaços culturais, atividades económicas compatíveis, áreas de fruição turística e novos espaços de encontro urbano.
Está igualmente prevista a criação de uma praça pública na antiga zona das plataformas ferroviárias, abrindo o edifício ao rio Mondego e promovendo uma nova relação entre a cidade, a frente ribeirinha e os percursos pedonais e cicláveis associados ao futuro sistema Metrobus.
Investimento estruturante para a Baixa e frente ribeirinha
A iniciativa prevê a subconcessão de uma área com cerca de 5.286 m2, incluindo o edifício de passageiros e antigas plataformas ferroviárias atualmente desativadas, por um período de 50 anos, condição considerada essencial para viabilizar o investimento público e privado associado ao projeto.
O investimento global estimado poderá atingir 16 milhões de euros, a executar num horizonte máximo de sete anos, abrangendo obras de reabilitação patrimonial, construção de infraestruturas, reorganização do espaço público e reestruturação funcional do edifício.
De acordo com a informação técnica municipal, a subconcessão da Estação Nova constitui uma intervenção estratégica de elevado interesse público, orientada para a revitalização urbana, económica e cultural desta zona da cidade, procurando reposicionar Coimbra como referência nacional na articulação entre património, inovação e desenvolvimento urbano sustentável.
Um património histórico com nova vida
Classificada como Monumento de Interesse Público e integrada na zona de proteção da Universidade de Coimbra — Alta e Sofia, Património Mundial da UNESCO, a Estação Nova foi concebida, no início do século XX, como a porta monumental de entrada na cidade.
Com esta decisão, o Município pretende garantir a preservação do edifício histórico, adaptando-o a novas funções urbanas e devolvendo-lhe centralidade na vida coletiva de Coimbra.
Como sublinhou Ana Abrunhosa, o objetivo é claro: valorizar o património, reintroduzir o fluxo de pessoas e atividades na Baixa e transformar a Estação Nova num novo ponto de encontro, chegada e partida para a cidade do futuro.