A recente atualização tarifária resulta de uma realidade incontornável. Cerca de 99% da água que abastece as famílias de Coimbra é comprada em alta à empresa Águas do Centro Litoral, entidade que aumentou as suas tarifas em 4%, tanto no fornecimento como no tratamento de efluentes residuais. A este agravamento somam-se a subida dos custos com a energia elétrica, indispensável ao bombeamento diário, e o encarecimento dos materiais operacionais. Exigir que a Águas de Coimbra absorva estes encargos sem qualquer adequação seria empurrar a empresa para a insolvência técnica.
Congelar tarifas perante custos galopantes é uma ilusão que custa caro. Que nos custa caro. A todos. A ausência de equilíbrio financeiro comprometeria o pagamento a fornecedores, paralisaria as equipas de intervenção contínua e impediria a renovação das condutas obsoletas. Sem investimento, multiplicam-se as roturas, aumentam as perdas de água e adia-se a separação fulcral entre águas pluviais e esgotos domésticos. Tratar água da chuva nas ETAR é um contrassenso ecológico e financeiro que Coimbra não pode continuar a perpetuar. A segurança do abastecimento e a monitorização laboratorial permanente exigem sustentabilidade. Temos uma água de que nos orgulhamos e cuja qualidade é reconhecida por todos. Queremos que assim continue.
Governar com responsabilidade significa proteger as pessoas. Por essa razão, a atualização foi calibrada com o máximo critério social. O impacto traduz-se num acréscimo médio de 0,62 euros mensais para consumos de 5 metros cúbicos e de 1,02 euros para consumos de 10 metros cúbicos. Trata-se de um valor comedido, desenhado para assegurar a continuidade do serviço sem sobrecarregar o orçamento familiar. Paralelamente, mantêm-se plenamente ativas a tarifa social para agregados vulneráveis e as condições bonificadas destinadas às IPSS.
Recusamos o populismo da inércia. Governar é fazer escolhas lúcidas, mesmo quando são exigentes. Gerir a Águas de Coimbra não é fazer política com o bolso dos munícipes; é garantir que Coimbra possui infraestruturas modernas, contas certas e água de excelência a correr na torneira. Optámos pelo saneamento financeiro, pela modernização das nossas redes e pela salvaguarda de um bem público essencial, que deve ser de acesso universal e que é escasso. A sustentabilidade possui um preço justo e transparente, mas estamos certos de que a ruína e o colapso do serviço público prestado seria uma fatura incomportável para as futuras gerações de conimbricenses. Essa traduzir-se-ia numa aritmética errada e custar-nos-ia muito mais.
Publicado na edição de 19/10/2026 do Diário as Beiras