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6 Maio 2026

Intervenção na Avenida Elísio de Moura avança com base em parecer técnico da Universidade de Coimbra

A Câmara Municipal de Coimbra vai retomar a empreitada de requalificação da Avenida Elísio de Moura, após um processo de análise técnica, científica e de auscultação de entidades externas que confirmou a impossibilidade de manter os atuais pinheiros-mansos sem comprometer a segurança rodoviária e pedonal no troço mais afetado da via. O Município apela à compreensão dos cidadãos para uma intervenção que resulta de critérios técnicos rigorosos e de uma avaliação independente conduzida pela Universidade de Coimbra.

A obra, inicialmente consignada para corrigir deformações graves no pavimento provocadas pelo crescimento das raízes, está temporariamente suspensa para permitir uma avaliação aprofundada da situação e a ponderação de alternativas.

 

Avaliação científica independente fundamenta decisão

No âmbito deste processo, a Câmara Municipal solicitou um parecer técnico ao Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, que procedeu à avaliação biomecânica dos pinheiros-mansos existentes nos separadores centrais da avenida, com particular incidência no troço descendente, onde se concentram as principais patologias.

 

O estudo conclui que existe uma incompatibilidade estrutural entre a espécie e as condições do subsolo urbano, marcada por um forte confinamento radicular e pela presença de uma camada impermeável enterrada, que impede o desenvolvimento normal das raízes.

 

De acordo com o parecer, este fenómeno provocou um crescimento radicular anómalo, com raízes a desenvolverem-se horizontalmente e a romperem o pavimento, originando deformações significativas e constituindo um risco efetivo para a segurança da circulação.

 

A análise identifica ainda um desequilíbrio biomecânico das árvores, que, sem ancoragem profunda, apresentam risco elevado de queda, sobretudo em condições meteorológicas adversas.

 

No troço ascendente da avenida, onde não são evidentes, para já, deformações com a mesma expressão, a situação será avaliada em função do avanço dos trabalhos, procurando salvaguardar os exemplares que não comprometam a segurança de pessoas e bens.

 

Transplante considerado inviável do ponto de vista técnico e financeiro

O Município avaliou também a possibilidade de transplante dos exemplares, tendo consultado entidades especializadas e analisado soluções aplicadas noutros contextos urbanos.

 

Contudo, quer o parecer científico, quer a análise técnica convergem na inviabilidade dessa solução. O relatório da Universidade de Coimbra desaconselha expressamente o transplante, mesmo para árvores de menor porte, devido a três fatores críticos: o choque fisiológico resultante do corte da raiz principal, a impossibilidade de extração de um torrão coeso em solo urbano e o risco estrutural herdado associado a sistemas radiculares deformados.

 

Acresce que, segundo a literatura técnica e a experiência de empresas especializadas, as taxas de insucesso em transplantes deste tipo situam-se entre 60% e 90%, podendo atingir valores próximos da totalidade nas condições atuais.

 

Os custos estimados para esta operação, entre 5.000 e 15.000 euros por exemplar, traduzir-se-iam num investimento muito elevado, sem garantia de sobrevivência das árvores e com elevado risco de perda total.

 

Processo incluiu auscultação de entidades e movimentos

Paralelamente à análise técnica, o Município promoveu um processo de auscultação de diversas entidades e movimentos cívicos ligados à área ambiental, incluindo associações e organizações da sociedade civil.

 

Numa visita conjunta ao local, foi possível partilhar a informação técnica disponível e discutir as diferentes soluções possíveis. O consenso alcançado aponta para a inexistência de alternativa viável no troço mais afetado da avenida, sendo admitida, noutros segmentos, a possibilidade de avaliação pontual de exemplares que possam ser preservados, desde que não esteja em causa a segurança de pessoas e bens.

 

Intervenção responde a problema estrutural do subsolo

A origem do problema não reside apenas nas árvores, mas num erro estrutural associado à configuração do subsolo urbano. O parecer técnico identifica a existência de um antigo pavimento enterrado, que funciona como barreira impermeável e impede o desenvolvimento radicular em profundidade.

 

Este “efeito de colete de forças” levou ao crescimento desordenado das raízes, que procuraram espaço lateral, rompendo lancis e levantando o pavimento, fenómeno que já provocou acidentes e continuará a agravar-se se não for intervencionado.

 

A intervenção prevista inclui, por isso, não apenas a resolução das patologias no pavimento, mas também a correção das condições estruturais do subsolo, criando bases adequadas para uma solução arbórea futura sustentável.

 

Requalificação prevê nova solução arborícola mais adequada

A futura requalificação da avenida será acompanhada por uma nova estratégia de arborização, baseada em critérios técnicos de adequação ao contexto urbano, resiliência climática e segurança.

 

O parecer técnico recomenda a substituição por espécies mais compatíveis com o espaço disponível e com sistemas radiculares menos agressivos, bem como a adoção de soluções de engenharia que garantam o desenvolvimento saudável das árvores a longo prazo, incluindo sistemas de drenagem e zonas de enraizamento contínuo.

 

Município retoma obra após processo técnico e participativo

Com base na avaliação científica independente, na análise técnica e no processo de auscultação realizado, o Município de Coimbra vai retomar a empreitada, assegurando a resolução de um problema que afeta diretamente a segurança e a qualidade do espaço público.

 

A Câmara Municipal sublinha que todas as decisões foram tomadas com base em critérios técnicos rigorosos, sustentados por conhecimento científico e após a análise de alternativas, reafirmando o compromisso com a transparência, a segurança e a sustentabilidade das intervenções no espaço público.

 

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