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30 Outubro 2026

GLEX Ignition reúne em Coimbra exploradores e cientistas internacionais e aponta caminhos para o futuro

A possibilidade de descobrir um planeta semelhante à Terra na próxima década, as novas observações proporcionadas pelas missões lunares da NASA e o papel da ciência e da tecnologia na resposta aos grandes desafios do planeta marcaram o GLEX Ignition, que decorreu na quinta-feira, 29 de outubro, no Convento São Francisco, em Coimbra. Ao longo do dia, 11 protagonistas internacionais ligados à exploração, ciência e inovação partilharam conhecimento e experiências.

Na abertura do encontro, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, destacou a capacidade da cidade para conjugar a sua história com a participação nos novos desafios científicos e tecnológicos.

 

“Coimbra é uma cidade com dois mil anos de história, mas continua a ser uma cidade jovem, com vontade de participar neste novo caminho de exploração do mundo. Queremos aproveitar o conhecimento e as tecnologias que estão a ser desenvolvidos, incluindo na área espacial, para encontrar soluções para os problemas da Terra e dos oceanos”, afirmou.

 

O vice-reitor da Universidade de Coimbra, Nuno Mendonça, destacou igualmente a ambição de posicionar Coimbra nos grandes desafios científicos e tecnológicos do futuro. “Vamos garantir que Coimbra tenha uma palavra a dizer na exploração espacial do próximo século. Esta é a visão da Universidade de Coimbra e é para isso que estamos a trabalhar: criar condições para que os nossos investigadores, estudantes e parceiros possam participar nos grandes desafios científicos e tecnológicos que se colocam à humanidade”, sublinhou.

 

Ao longo do dia, da exploração espacial à proteção dos oceanos e das florestas, passando pela adaptação às alterações climáticas, pela valorização dos conhecimentos ancestrais e pelas aplicações da ciência na vida quotidiana, o encontro deixou uma mensagem transversal sobre a capacidade do conhecimento, da tecnologia e da cooperação para contribuir para o futuro da humanidade.

 

Exploração espacial e novas fronteiras do conhecimento

Pete Worden, antigo diretor do NASA Ames Research Center e atual diretor executivo das Breakthrough Initiatives, manifestou a convicção de que será possível identificar uma “Terra 2.0” na próxima década, à medida que são desenvolvidos instrumentos mais avançados para procurar planetas semelhantes ao nosso.

 

Kelsey Young, responsável pelas operações científicas da missão Artemis II da NASA, revelou algumas das observações inesperadas realizadas pelos astronautas, entre as quais vários clarões detetados na superfície lunar que poderão corresponder a impactos de micrometeoritos e que estão agora a ser estudados.

 

Também Andreas Mogensen, astronauta da Agência Espacial Europeia e antigo comandante da Estação Espacial Internacional, destacou o regresso à Lua como uma das grandes oportunidades de descoberta da atual geração.

 

Exploração do Espaço com os olhos postos na Terra

A relação entre exploração espacial e proteção do planeta esteve presente em várias intervenções. Lola Fatoyinbo, ecologista espacial e antiga cientista da NASA, destacou a utilização dos dados recolhidos por satélite na proteção das florestas e dos ecossistemas costeiros, enquanto Cliff Kapono apresentou o objetivo de mapear um milhão de recifes de coral até 2030 e envolver milhares de cidadãos na recolha de informação sobre estes ecossistemas.

 

A cientista e exploradora da National Geographic Alizé Carrère defendeu a necessidade de uma adaptação transformadora às alterações climáticas, capaz não apenas de responder às mudanças ambientais, mas de criar condições para que as comunidades possam prosperar.

 

Avita Taricuarima, bióloga indígena Kukama da Amazónia, apresentou investigação sobre microrganismos que poderão contribuir para encontrar novas soluções para a degradação de plásticos. Já Mark Hannaford, fundador da World Extreme Medicine, destacou a importância de transferir conhecimento entre diferentes áreas, da medicina de emergência à medicina espacial.

 

O programa incluiu ainda contributos sobre a evolução do Universo, a exploração de Vénus, a sonificação de dados científicos e novas formas de aproximar ciência, cultura e sociedade.

 

Barbara Doran, presidente do The Explorers Club, sublinhou a importância de olhar para as próximas fronteiras da exploração e para as descobertas que ainda estão por alcançar. O presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, salientou, por sua vez, o papel das tecnologias espaciais na observação e proteção da Terra.

O GLEX Ignition foi organizado pela Expanding World Portugal, em parceria com o The Explorers Club, de Nova Iorque, com a coorganização do Município de Coimbra, da Universidade de Coimbra e do Museu Nacional de Machado de Castro.

 

GLEX Ignition prossegue com Coimbra Supernova

A programação prossegue esta sexta-feira, 30 de outubro, com o Coimbra Supernova – Frontiers in Action, um fórum destinado a aproximar instituições científicas, investigadores, empresas e investidores.

 

A iniciativa inclui conferências e momentos de interação com os participantes e pretende estimular novas relações e oportunidades de cooperação, criando condições para o desenvolvimento de projetos com continuidade para além do GLEX Ignition.

 

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